Malévola denuncia humilhação após prisão no Egito e revela que foi obrigada a tirar a roupa

A influenciadora digital Mariana Alves Gadelha Pereira, conhecida nas redes sociais como Malévola Alves, fez um relato sobre os momentos que afirma ter enfrentado durante sua prisão no Egito. Nesta quinta-feira (22/10), a brasileira contou que foi obrigada a tirar toda a roupa diante de autoridades locais para que os agentes verificassem seu sexo. Segundo ela, a situação foi humilhante e provocou um profundo abalo emocional.
Malévola, que é uma mulher trans, foi detida na terça-feira (20), na cidade de Alexandria, ao lado da amiga Bruna Mercatelli. As duas foram abordadas após a circulação de vídeos gravados durante a viagem, considerados inadequados pelas autoridades egípcias.
Depois de ser liberada, a criadora de conteúdo decidiu compartilhar sua versão dos acontecimentos e denunciar o tratamento que afirma ter recebido durante o período em que esteve sob custódia policial.
Malévola afirma que foi obrigada a ficar nua durante detenção
Em um desabafo publicado nas redes sociais, Malévola revelou que precisou se despir completamente diante de agentes egípcios para comprovar que havia passado por uma cirurgia de redesignação sexual.
De acordo com a influenciadora, a exigência aconteceu depois que as autoridades começaram a questionar sua identidade de gênero.
Ela afirmou que foi levada para uma sala, onde precisou mostrar o corpo aos agentes. Somente após a verificação, segundo seu relato, os policiais teriam mudado a maneira de tratá-la.
“Eu tive que ficar pelada. Me levaram para uma sala, eu tive que ficar pelada para eles verem se eu era mulher mesmo. E eles viram que eu era mulher, pediram desculpa depois, mas eu me senti um lixo”, relatou.
A brasileira afirmou que a experiência foi extremamente constrangedora e que o pedido de desculpas feito posteriormente não apagou o sofrimento provocado pela situação.
Influenciadora revela medo pela segurança da amiga
Além de relatar o episódio em que precisou ficar nua, Malévola contou que temeu pela própria segurança e pela integridade de Bruna Mercatelli, que também é uma mulher trans.
Segundo ela, os agentes questionaram se ambas eram transexuais, provocando preocupação sobre as possíveis consequências da resposta.
Malévola explicou que, por já ter realizado a cirurgia de redesignação sexual, decidiu se apresentar primeiro às autoridades, na tentativa de proteger a amiga.
“A minha amiga Bruna, ela não fez a cirurgia de redesignação sexual, então ela estava mais preocupada. Então tentei ir à frente, já por ter feito a cirurgia, para tentar mostrar: ‘Não, não somos’”, contou.
O relato evidencia o medo que a influenciadora afirma ter sentido diante da abordagem e das perguntas feitas pelos agentes durante a detenção.
Tratamento teria mudado após verificação feita pelos policiais
Malévola também declarou que percebeu uma mudança no comportamento das autoridades depois que os agentes constataram que ela havia passado pela cirurgia.
Segundo a influenciadora, antes desse momento, as condições enfrentadas pelas brasileiras eram difíceis. Ela afirmou que a situação melhorou após a verificação.
“Depois que eles viram que eu tinha vagina, o tratamento mudou. Eles começaram a dar comida, eles começaram a dar água, começaram a ser mais educados”, declarou.
A criadora de conteúdo também contou que passou horas em delegacias e permaneceu por mais de 24 horas sem conseguir se comunicar com familiares ou amigos.
Ainda de acordo com seu relato, os aparelhos celulares foram recolhidos pelas autoridades, impedindo que as duas mantivessem contato com pessoas próximas.
Malévola afirmou que precisou dormir em uma cadeira dura enquanto estava sob custódia, situação que aumentou seu desconforto durante a experiência.
As denúncias sobre as condições da detenção foram apresentadas pela influenciadora e não tiveram confirmação independente na reportagem.
Vídeos gravados durante viagem provocaram prisão
A detenção de Malévola Alves e Bruna Mercatelli aconteceu após a divulgação de vídeos registrados durante a passagem das brasileiras pelo Egito.
Nas imagens, as influenciadoras aparecem interagindo fisicamente com homens em espaços públicos e dentro de veículos.
Segundo o Ministério do Interior egípcio, os registros apresentariam comportamentos de conotação sexual, gestos considerados obscenos e supostas situações de assédio contra pedestres.
As autoridades locais afirmaram que as gravações motivaram a investigação e a posterior detenção das brasileiras.
O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais, dividindo opiniões sobre a conduta das influenciadoras e a atuação da polícia egípcia.
Malévola rebate acusações e afirma que homens concordaram com gravações
Após deixar a prisão, Malévola também decidiu responder às críticas que recebeu pela divulgação dos vídeos.
A influenciadora negou que as interações registradas durante a viagem tenham acontecido sem o consentimento dos participantes.
Segundo ela, os homens que apareceram nas gravações sabiam que estavam sendo filmados e aceitaram participar das brincadeiras.
“Os homens que estavam participando eram homens que queriam aparecer”, disse.
Malévola sustentou que não teve a intenção de desrespeitar os moradores locais e afirmou que as situações foram interpretadas de maneira diferente pelas autoridades.
A versão apresentada pela brasileira contrasta com as acusações divulgadas pelo Ministério do Interior do Egito, que classificou o conteúdo como inadequado.
Influenciadora denuncia assédio durante passagem pelo Egito
Outro ponto abordado por Malévola foi o comportamento de alguns homens durante a viagem.
A criadora de conteúdo afirmou que ela e as amigas teriam sido vítimas de assédio desde a chegada ao Cairo, capital egípcia.
Segundo seu relato, houve episódios de aproximações físicas indesejadas e situações que provocaram desconforto.
A influenciadora declarou que chegou a procurar a polícia para denunciar acontecimentos envolvendo outros homens, mas afirmou que não recebeu a assistência esperada.
Ao comentar as críticas direcionadas às roupas que utilizava, Malévola ressaltou que a maneira como uma mulher se veste não representa autorização para qualquer tipo de contato físico sem consentimento.
“E a roupa não dá permissão de ninguém me assediar, a roupa não dá permissão de ninguém passar a mão em mim”, declarou.
Brasileiras foram liberadas após pagamento de fiança
Malévola e Bruna foram detidas na terça-feira (20), em Alexandria, e liberadas na quarta-feira (21), após o pagamento de fiança.
A defesa das influenciadoras acompanhou o caso e buscou assistência das autoridades brasileiras para viabilizar a liberação.
O Ministério das Relações Exteriores informou que a Embaixada do Brasil no Cairo prestou assistência consular às duas brasileiras, incluindo orientações jurídicas e contato com representantes locais.
Após deixar a custódia, Malévola utilizou as redes sociais para relatar as situações que afirma ter enfrentado e explicar sua versão sobre os vídeos que motivaram a investigação.
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