Ministra do TSE que proibiu púlpito vazio na Globo atuou com Dino e já pediu voto a Lula

Um dos motivos dados pela TV Globo para cancelar o debate presidencial marcado para a noite da última quinta-feira, 1°, foi uma liminar, dada pela ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), proibindo a emissora de manter um púlpito vazio com o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em alusão à ausência dele no debate. Além de ter feito parte do governo, chefiando uma das secretarias do Ministério da Justiça de Flávio Dino, ela pediu votos ao petista nas eleições de 2022.
O vídeo em que ela declara voto no atual presidente voltou a circular nas redes sociais depois da liminar de quinta. “Eu sou Estela Aranha, sou advogada e eu voto em Lula no segundo turno. Eu voto 13, porque, como advogados, nós não temos outra opção que não seja o Lula, para a gente estancar o aumento do autoritarismo, para a gente defender o Estado democrático de direito e a democracia no país. Então, os advogados devem votar em Lula, inclusive para salvar o próprio sistema de justiça”, disse Aranha na ocasião. Assista a seguir:
Aranha ingressou no TSE em 1° de agosto do ano passado, para um primeiro biênio que termina em 2027. Ela ocupa uma das vagas reservadas para advogados e foi nomeada, assim como os outros integrantes da Corte que não vêm de tribunais superiores, pelo presidente Lula. Ela é formada em Direito pela USP e é considerada uma referência acadêmica em Direito Digital. Por conta dessas credenciais, foi secretária nacional de Direitos Digitais quando Flávio Dino, hoje no STF, era ministro da Justiça e Segurança Pública. Quando Ricardo Lewandowski assumiu a pasta, Estela Aranha migrou para a assessoria especial do presidente Lula.
Debate cancelado
Pouco antes do debate presidencial da TV Globo, último embate antes do primeiro turno das eleições, a emissora decidiu cancelar o evento por conta de uma sucessão de decisões judiciais que modificariam o formato aprovado entre as campanhas. Além da liminar dada por Estela Aranha sobre o púlpito vazio de Lula — que foi proibido junto com a possibilidade de perguntas a ele, sob pena de multa –, Gilmar Mendes também determinou que a emissora incluísse Renan Santos entre os debatedores.
Na terça, o presidente do TSE Nunes Marques também deu uma decisão que mudou o formato do debate. Ele determinou que os filiados do partido Novo fossem incluídos — o que obrigou a emissora a colocar também Romeu Zema (Novo) entre os debatedores. De última hora, o senador Flávio Bolsonaro desistiu de ir ao debate, enquanto Lula não confirmou presença e, no mesmo horário, concedeu uma entrevista ao Flow Podcast.
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