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MP investiga indícios de manipulação no Goianão Sub-20

O Ministério Público de Goiás (MP) deflagrou nova operação para investigar indícios de manipulação de resultados em jogo do Goianão Sub-20. Nas primeiras horas desta quinta-feira (6), equipes especializadas do órgão foram às ruas para cumprir dois mandados de busca e apreensão em Senador Canedo e Bela Vista de Goiás. 

A investigação teve início após o MP identificar indícios de manipulação no resultado da partida entre Aparecida Esporte Clube e U. E. Belavistense, válida pelo Campeonato Goiano Sub-20. O jogo foi realizado no dia 16 de setembro de 2025, no CT Sussumo Taia, em Goiânia. Na ocasião, o Aparecidense venceu o União Atlético Belavistense pelo placar elástico de 7 a 2. 

Manipulação de resultados

A manipulação de resultados de partidas futebolísticas veio à tona em 2023, por meio da Operação Penalidade Máxima do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), da Coordenadoria de Segurança Institucional e Inteligência (CSI) e do Grupo de Atuação Especial em Grandes Eventos Esportivos (GAEGE). Em 2025, três réus denunciados pelo órgão foram condenados pela Justiça por integrarem organização criminosa responsável por manipular resultados em partidas de futebol profissional. 

Foi a primeira sentença condenatória proferida em ação penal decorrente da operação. Foram condenados nesta decisão Romário Hugo dos Santos, Thiago Chambó Andrade e Bruno Lopez de Moura. A sentença proferida pelo juiz Alessandro Pereira Pacheco, da 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro, reconheceu que eles atuavam em diferentes núcleos do grupo criminoso: desde o financiamento e gerenciamento das apostas, passando pelo aliciamento de jogadores, até a realização de pagamentos a atletas envolvidos nas fraudes. A finalidade era obter lucros com apostas em jogos manipulados.

De acordo com a investigação, o grupo manipulava a ocorrência de cartões, pênaltis e até placares inteiros em jogos dos campeonatos estaduais e das séries A e B do Campeonato Brasileiro, entre 2022 e 2023. A finalidade era obter lucros com apostas feitas em sites especializados, prejudicando não apenas clubes e plataformas, mas também torcedores e apostadores de todo o país.

Penas vão de 5 anos e 22 anos de reclusão

Bruno Lopez de Moura foi condenado a 19 anos de reclusão e 130 dias-multa, mesmo tendo celebrado acordo de colaboração premiada com o MPGO. A pena inicial era de 39 anos, mas foi reduzida. O juiz considerou que, embora Bruno tenha cumprido os termos do acordo, sua colaboração não foi essencial para elucidar os fatos, já que boa parte das provas foi obtida por meio de outras diligências, como quebras de sigilo e busca e apreensão.

Romário Hugo dos Santos, ex-jogador conhecido como Romarinho, apontado como financiador, cooptador de jogadores e operador financeiro do esquema, foi condenado a 22 anos e 10 meses de reclusão e 170 dias-multa. O juiz destacou que ele exercia papel relevante na organização, embora não tenha sido comprovado que estivesse em posição de liderança formal.

Thiago Chambó Andrade, identificado como o principal operador financeiro e um dos líderes intelectuais do grupo, recebeu pena de 5 anos e 9 meses de reclusão, em regime semiaberto, além de 50 dias-multa. Além das penas de prisão, os três foram condenados a pagar R$ 2 milhões por danos morais coletivos. 


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