Economia

No fórum global do agro em São Paulo, sobrou discurso e faltou comida

A área dedicada à gastronomia foi reduzida a churrascos. Não havia arroz, feijão, verduras, legumes, vegetais, frutas. No país que é o maior produtor de suco de laranja do mundo, o que se tinha à venda era água, Coca-Cola e cerveja. Os poucos estandes de pequenos produtores quase passavam despercebidos por quem circulava na arena.

É claro que os painelistas do fórum e convidados estrangeiros, como Janusz Wajciechowski, da Comissão Europeia, ou Parag Khanna, estrategista global e ex-consultor de Obama, foram muito bem servidos com ótimas refeições.

Esse é o retrato da agropecuária empresarial que ampliou as áreas de soja e gado e quer impressionar o mercado lá fora, mas se esquece de olhar para o acesso a alimentos básicos para a população do próprio país.

Diversas falas rodeavam as temáticas da segurança alimentar, climática e energética. Na prática, no entanto, havia copos de plástico servidos aos montes e um ambiente de festa da firma da Faria Lima, com patrocínio majoritário da XP Investimentos. Na rádio peão, pelos corredores do estádio, falava-se que o festival todo teria custado entre R$ 20 milhões e R$ 25 milhões. A “cultura agro” que se via, portanto, era uma versão sem rodeio da Festa de Barretos para quem tem dinheiro e compra terras e caminhonetes.

Quem viaja pelo país e acompanha o agronegócio a fundo sabe que o setor não se limita a isso. Reproduzir apenas esse estereótipo é reforçar que vale investir somente nesse modelo de soja e boi que serão exportados e retornarão em benefícios para uma parcela muito específica da sociedade.

Nesse sentido, um dos maiores antagonismos foi ver a insistência de homens em cima do palco dizendo que o agro precisa se comunicar melhor com a sociedade. Mas como fazer o “rebranding” para “mudar o mindset” sobre o setor sem sair da bolha?
A um custo de R$ 1.280 pelos dois dias de evento, fica claro quem é o público com quem querem se comunicar. “Objetivo número um é gerar negócio. Se a feira for puramente pública, mais pela curiosidade, a gente não quer”, afirmou Lisandro Lopez, CMO da XP, em relação à venda de ingressos.

Matéria: UOL Economia

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