Saúde

Nova onda de Covid atinge a Alemanha

Em meados de dezembro de 2020, a Alemanha restringia mais uma vez a vida em público. O lockdown light do início de novembro, que visava derrubar o número de infecções por coronavírus antes do Natal, havia sido um fracasso total e a incidência disparou. Assim, os governos federal e estaduais decidiram implementar um segundo confinamento rígido: apenas cinco pessoas de dois domicílios diferentes podiam se reunir, as escolas iniciaram o ensino à distância e os cidadãos começaram a estocar alimentos.

Três anos depois, o vírus já deixou de aterrorizar as pessoas, a maioria dos alemães foi vacinada e quase todos desenvolveram imunidade básica. No entanto, médicos de família como Lars Rettstadt estão mais uma vez no limite, e seu telefone toca 24 horas por dia.

“Agora é novamente um período típico de alta de infecções, há muita gente com tosse e coriza. Quando abrimos o consultório na manhã de segunda-feira de manhã, há umas 70 pessoas esperando sem hora marcada, homens, mulheres, jovens ou idosos. Estima-se que 80% tenham infecções virais, metade delas tem coronavírus.”

“Não temos mais visto casos de evoluções mais graves da doença, só tive uma paciente de 94 anos que teve que ser levada ao hospital por causa de uma infecção por coronavírus. Muitos pacientes estão atualmente reclamando de problemas gastrointestinais e dores de cabeça como efeitos colaterais do coronavírus. E muitos pacientes, também jovens, têm que tirar licença médica por duas semanas porque ficam fisicamente exaustos e ainda não têm força para trabalhar.”

Quase oito milhões com doenças respiratórias

Segundo o Instituto Robert Koch, quase oito milhões de pessoas sofrem no momento de doenças respiratórias na Alemanha, o que significa que quase uma em cada dez pessoas está doente. Reuniões natalinas de empresas são canceladas, órgãos públicos suspendem atendimento por falta de funcionários e aulas estão sendo canceladas nas escolas devido a professores doentes.

Quase uma em cada quatro pessoas atualmente hospitalizadas com uma infecção respiratória grave foi infectada pelo coronavírus. O ministro alemão da Saúde, Karl Lauterbach, pediu cautela e mais vacinações no período que antecede o Natal por causa da nova onda de vírus.

A incidência de 7 dias é atualmente de 38 a cada 100 mil pessoas, enquanto no pico da onda da variante ômicron no primeiro semestre de 2022 era de quase 2 mil. Mas uma avaliação real da situação não é mais possível com base na taxa de incidência, já que atualmente as pessoas quase nunca se testam em órgãos públicos, e sim a partir da análise da água de esgoto.

Esse novo sistema de alerta precoce abrange 123 estações de tratamento de esgoto na Alemanha. E a quantidade de genes do coronavírus no sistema de esgoto está atualmente no seu recorde desde o início das medições, em junho de 2022.

O virologista Martin Stürmer, de Frankfurt, cita outro estudo que ajuda a iluminar a verdadeira extensão da onda de coronavírus. “O estudo SentySurv do estado da Renânia-Palatinado examina regularmente 10 mil participantes usando PCR em intervalos regulares, independentemente de as pessoas apresentarem sintomas ou não. Atualmente, temos uma incidência de quase 3.900 em 7 dias na Renânia-Palatinado, há uma semana ela estava em 2.600. Portanto, estamos numa fase em que os números estão aumentando muito novamente.”

Variante Pirola em ascensão

O fato de boa parte da Alemanha estar de cama atualmente também tem a ver com o fato de que não só o coronavírus está circulando, mas também infecções respiratórias corriqueiras, como a gripe ou o vírus RSV. Ao mesmo tempo, Stürmer ressalta que não tem sido registrado um aumento significativo no número de internações hospitalares, em unidades de terapia intensiva ou mesmo mortes por Covid.

O virologista vê uma nova variante em ascensão. “Nos últimos dias e semanas, estamos realmente vendo a mudança das variantes, de Eris para a variante Pirola. A Pirola original tinha mais de 30 mutações. Agora temos a variante BA.2.86.1 na Alemanha, mas sobretudo a variante JN.1, outra variante sucessora do Pirola, que agora é responsável por quase um terço dos registros.”

Máscaras e vacinas como proteção

Stürmer acredita que as próximas semanas serão um desafio. Ele também apela aos grupos de risco, ou seja, pessoas com mais de 60 anos e com doenças preexistentes, para que se vacinem. Ao mesmo tempo, a vacinação também oferece uma boa proteção contra doenças derivadas da Covid de longa duração, ou seja, problemas de saúde duradouros que permanecem por mais de quatro semanas após a infecção.

“A própria população costuma dizer: ‘Definitivamente não vou colocar máscara de novo’. Há uma certa distância ou aversão a essas medidas. A disposição para vacinar também está baixa. Mas acho que todos esses são fatores que poderíamos melhorar significativamente com uma comunicação positiva e sensata.”

Informação

Folha de São Paulo

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