O assunto que mais preocupa os brasileiros ainda aguarda resposta dos candidatos

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Um estudo da Ipsos, uma das maiores empresas de pesquisa do mundo, mostrou em setembro que 52% dos entrevistados no Brasil apontaram crime e violência como principais preocupações.
Reportagem de capa de VEJA desta semana mostra que os candidatos à Presidência passaram a campanha discutindo temas importantes sem profundidade e perderam tempo com frases polêmicas. Problemas incontornáveis do país, como a crise na segurança pública, não entraram no debate eleitoral com a importância devida.
Os especialistas acham que o país perdeu a chance de discutir saídas para a segurança pública. “Temos muitas soluções histriônicas e poucas propostas baseadas na ciência e em evidências”, diz Rafael Alcadipani, professor da FGV e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Para ele, os principais problemas da área são a falta de articulação da União com os Estados, a violência contra a mulher e os roubos de celulares.
Alcadipani critica os dois principais candidatos, que lideram as pesquisas. “O Lula sempre deixou muito a desejar na área da segurança pública. É um discurso vazio. Também acho incrível as pessoas acreditarem que o Flávio Bolsonaro realizará algo diferente do pai dele, que nada fez. É um deserto de ideias”, afirma.
A ONG estrangeira Armed Conflict Location & Event Data Project reservou ao Brasil, em 2025, a 7ª posição entre os países mais perigosos do mundo devido aos altos índices de violência associados ao crime organizado, que tem como principais expoentes em território nacional o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho.
Um estudo da Organização das Nações Unidas divulgado em dezembro de 2023 colocou o Brasil na 14ª colocação entre os países com maior taxa de homicídio no mundo — 21,26 registros por 100 000 habitantes, cinco vezes mais do que dos Estados Unidos.
Há países em que a taxa é menos de uma morte para cada 100 000 habitantes, como são os casos de Singapura (0,1 morte por 100 mil), e Suíça (0,5 por 100 mil). Na Bélgica, a taxa é de 1,1 mortes por cada 100 000. Sem um debate sério, o Brasil está longe de reduzir a criminalidade.
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