Política

O diálogo de Moro e assessor sobre pressão de Deltan


Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Uma segunda conversa de WhatsApp do senador Sergio Moro (União Brasil-PR; foto) durante a sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado da quarta-feira, 13 de dezembro, vazou na imprensa.

Desta vez, Moro não conversa com seu assessor Rafael Travassos Magalhães, o “Mestrão“, mas com o seus suplente no Senado, o advogado Luis Felipe Cunha.

Ambas as conversas foram captadas em imagem por jornalistas que registraram o senador de costas enquanto ele usava o seu celular. É possível ler as mensagens no celular a partir dessas imagens.

O tema da conversa com Cunha é uma suposta preocupação do ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo) pela indicação de Flávio Dino (PSB) ao Supremo Tribunal Federal, tema de votação da sessão da CCJ da quarta, 13.

“Deltan desesperado. Me ligou, mandou mensagem e etc. Só para seu conhecimento”, escreveu Cunha a Moro.

O senador responde: “Mandou msg aqui. Falo algo aqui [na CCJ]? O que acha?”. A assessoria de Deltan confirmou a O Antagonista que “ele mandou mensagem, sim, pedindo voto aberto e contrário a Dino”.

A interação captada termina com uma mensagem de Cunha. “Amigo, pela estratégia relatada, aparentemente, não há o que ser dito. Eu disse ao Deltan que vc sabe o que faz e que estarei ao seu lado sempre, por lealdade e por saber que você è uma cara correto”, diz o suplente.

Antes da discussão sobre o ex-deputado, Cunha perguntou a Moro se ele iria votar contra a indicação de Dino. Os dois então conversaram por chamada de áudio por cinco minutos.

A primeira conversa de Moro no Whatsapp durante a sessão da CCJ de quarta que foi vazada pela imprensa envolve seu assessor conhecido pelo apelido “Mestrão”.

Mestrão aconselha Moro a não declarar voto a favor de Dino a votação na CCJ, que é secreta, não é definitiva, mas serve de termômetro para o plenário. Na comissão, Dino teve 17 votos a favor e 10 contra; no plenário, o placar foi 47 a 31.

“Sergio, o coro está comendo aqui nas redes, mas fica frio que jaja [já já] passa, só não pode ter vídeo de você falando que votou a favor, se não isso vai ficar a vida inteira rodando”, disse Mestrão na mensagem recebida pelo senador. Ele completa: “Estou de plantão aqui, qualquer coisa só acionar”.

Moro respondeu: “Blz [Beleza]. Vou manter meu voto secreto, eh um instrumento de proteção contra retaliação”. O senador não declarou o voto e, apesar de reconhecer a conversa, se recusou a identificar Magalhães.

Independentemente da confirmação de Moro, o apelido do assessor é conhecido e se deve ao costume dele em chamar as outras pessoas de “mestre” ou “super-mestre”. Mestrão trabalha como auxiliar parlamentar de Sergio Moro desde agosto.

Matéria: O Antagonista

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