O eleitor que virou o jogo para Lula na nova pesquisa Quaest

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A nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana trouxe um dado que chamou a atenção de estrategistas das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro: a movimentação dos chamados eleitores independentes. Embora o noticiário tenha se concentrado na ampliação da vantagem do presidente sobre o senador do PL, os números sugerem que a principal disputa da eleição pode estar acontecendo longe das bases mais fiéis de lulistas e bolsonaristas (este texto é um resumo do vídeo acima).
Segundo o levantamento, o eleitorado brasileiro aparece praticamente dividido em três blocos de tamanho semelhante. Os eleitores identificados com a esquerda somam 33%, enquanto os que se definem como de direita também chegam a 33%. No meio desse tabuleiro estão os independentes, que representam 32% dos entrevistados e podem funcionar como fiel da balança na corrida presidencial.
No programa Os Três Poderes, o apresentador Ricardo Ferraz chamou atenção para o peso desse grupo.
O que mudou após o caso Dark Horse?
A pesquisa foi a primeira realizada após a divulgação dos áudios em que Flávio Bolsonaro aparece pedindo recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
Os números indicam que o episódio teve impacto relevante justamente entre os eleitores independentes. Nesse segmento, a desaprovação ao governo Lula caiu de 52% para 47%, enquanto a aprovação subiu de 37% para 41%.
O movimento aparece de forma ainda mais clara nas simulações de segundo turno. Entre os independentes, Flávio liderava anteriormente por 31% a 29%. Agora, o cenário se inverteu: Lula passou a registrar 37%, enquanto o senador caiu para 24%.
Parte desse avanço ocorreu porque uma parcela dos eleitores que antes afirmava não votar ou não participar do processo eleitoral voltou a demonstrar intenção de escolher um candidato. E, neste momento, a migração favorece o presidente.
Por que os independentes preocupam tanto as campanhas?
A disputa por esse eleitorado é considerada decisiva porque nem Lula nem Flávio têm muito espaço para crescer dentro de seus respectivos campos políticos. Durante o debate, o editor de Política José Benedito da Silva observou que o senador precisa avançar além da base bolsonarista tradicional para permanecer competitivo.
Segundo ele, a estratégia inicial da campanha passava por apresentar Flávio como um nome mais moderado, capaz de dialogar com eleitores fora do núcleo mais fiel do bolsonarismo. “Com isso aí você não ganha a eleição, você precisa avançar um pouco mais para o centro”, afirmou.
A polarização está afastando esse eleitor?
Para o colunista Robson Bonin, o comportamento dos independentes também reflete um desgaste crescente provocado pela radicalização do debate político. “O que a gente está vendo é primeiro um duelo, um desgaste mútuo”, afirmou o colunista durante o programa.
Segundo ele, a troca constante de acusações entre os dois campos políticos acaba afastando justamente os eleitores que não possuem alinhamento ideológico consolidado.
Bonin citou, como exemplo, a estratégia que vem sendo desenhada por Ronaldo Caiado. Em vez de investir na guerra de narrativas, o plano seria deslocar a discussão para propostas concretas nas áreas de segurança, saúde e educação. “Vale mais a pena prestar atenção em quem está querendo falar de futuro e melhorar a vida dos brasileiros”, disse.
O desgaste de Flávio ainda está em curso?
Na avaliação da editora Laryssa Borges, a Quaest reforçou o impacto político dos áudios envolvendo Vorcaro. Ela destacou que parte dos aliados do senador ainda demonstra dúvidas sobre o grau de conhecimento que ele possuía sobre sua relação com o empresário e teme novos desdobramentos do caso.
Outro dado observado pelos participantes do programa é o elevado índice de abstenção historicamente registrado entre os independentes. Segundo Laryssa, a taxa costuma se aproximar de 20%, o que significa que uma parcela relativamente pequena desse eleitorado pode acabar definindo o resultado da disputa. “Podemos estimar que as eleições vão ser definidas por 10 milhões de brasileiros”, afirmou.
É justamente esse grupo que passou a ser o principal alvo das campanhas. A dúvida, agora, é qual estratégia prevalecerá. No entorno de Lula, segundo a editora, surgiu um dilema: concentrar esforços na valorização do legado do presidente ou continuar explorando o desgaste de Flávio.
A resposta pode começar a aparecer nas próximas pesquisas. Por enquanto, os números da Quaest mostram que o eleitor mais disputado da eleição deu um passo em direção ao Palácio do Planalto.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Os Três Poderes (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
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