Economia

O paradoxo da fraude digital: menos ataques, prejuízos maiores

À primeira vista, executivos e empresas de segurança digital teriam motivos para celebrar. O mais recente relatório global da TransUnion para o primeiro semestre de 2026 aponta que a taxa de tentativas suspeitas de fraude digital no mundo recuou para 3,8% em 2025 — o menor nível desde 2022. O estudo considera duas fontes de inteligência: insights de uma pesquisa global envolvendo 12.730 consumidores em 18 países e aqueles que ganharam em bilhões de transações dentro da rede de inteligência global proprietária da TransUnion.

Mas essa queda não significa menos fraudes. Um dos motivos é o aumento no volume de transações digitais: com mais pessoas comprando e realizando operações online, a proporção de casos suspeitos pode estar mais diluída. E mais: segundo o relatório, os ataques tornaram-se cirúrgicos, altamente sofisticados e financeiramente devastadores.

“Os fraudadores também mudaram sua forma de agir. Eles usam dados vazados, credenciais roubadas e engenharia social para acessar contas ou criar acessos que
parecem legítimos. Outro ponto importante é que os ataques estão cada vez mais focados nos consumidores — e não nos sistemas das empresas — o que dificulta a identificação pelas ferramentas tradicionais de detecção”, detalha o relatório do estudo.

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Por isso, mesmo com a queda na taxa geral, o cenário continua mais complexo, com golpes cada vez mais convincentes que afetam a confiança e o bolso dos consumidores.

Segurança vira vantagem competitiva

Os achados do estudo podem ter um impacto nos negócios de quem vende serviços ou produtos de maneira digital: mais de dois terços dos consumidores globais entrevistados (77%) mencionaram que a confiança na segurança de seus dados pessoais é o fator mais importante ao escolher com quem farão transações online. Na América Latina, este número chega a 83%. .

De acordo com o levantamento, os consumidores buscam experiências digitais seguras, protegidas e convenientes, especialmente em transações financeiras e mais da metade dos consumidores (56%) afirmou que provavelmente trocaria de empresa em busca de uma experiência superior. Ao apontarem fatores que impediriam o retorno a um site, a preocupação com fraudes foi a mais citada, por 65% dos respondentes.

Neste cenário, para atrair e reter clientes, as organizações precisam demonstrar confiança no uso dos dados. Quase metade dos consumidores (49%) classificou a segurança das informações pessoais como o atributo mais importante em empresas on-line.

Segmentos mais suscetíveis

Entre os segmentos analisados, a indústria de jogos eletrônicos, que inclui apostas e pôquer, sofreu o maior percentual de tentativas suspeitas de fraude digital, chegando a 12,8% em 2025 (contra 7% em 2024). No segundo lugar, ficaram os serviços de comunidade como sites de namoro online.

Há uma razão para a liderança no ranking: os criminosos exploram o caráter social e interativo desses ambientes, incluindo videogames e comunidades on-line, criando perfis falsos para aplicar golpes e ofertas enganosas aos consumidores. Em alguns casos, o objetivo é a fraude direta, mas, com maior frequência, essas abordagens são utilizadas para coletar informações pessoais, que posteriormente viabilizam tentativas de invasão de contas (ATO) ou a abertura de novas contas fraudulentas.

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A vulnerabilidade no “Onboarding”

O estudo mapeou com precisão a jornada do cliente e descobriu que o momento de maior perigo para as empresas é durante a abertura de contas (onboarding). Na América Latina, 5,7% das tentativas de cadastro digital são suspeitas de fraude.

Na região, entre os consumidores que relataram perdas financeiras com fraudes digitais no último ano, a média foi de US$ 1.973 (cerca de R$ 10.989), com impactos significativos sobre as finanças pessoais e a confiança no uso de canais digitais.

O México é o país da região com maior perda média (R$ 18.754) e o Chile, com a menor (R$ 7.970). No Brasil, embora a perda média tenha ficado abaixo da encontrada na América Latina (R$ 10.699), houve um aumento de 60% em relação a 2024. E mais: a taxa geral de fraude digital no país alcançou 3,8%, acima da média regional, indicando maior exposição a riscos.

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Em todos os países da América Latina, o vishing (combinação das palavras voice e phishing, que descreve golpes realizados por meio de ligações telefônicas ou de voz),foi o golpe mais relatado entre consumidores da região que sofreram perdas financeiras, em contraste com o cenário global, onde predominam esquemas de roubo e uso indevido de informações em sites de e-commerce e contas laranja.

Mas também há dados positivos: em 2025, os investimentos em prevenção a fraude contribuíram para uma redução de 46% nas tentativas suspeitas de fraude digital nos países latinoamericanos analisados, em comparação com 2024.

Infomoney

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