Saúde

O que fazer se as redes sociais prejudicarem a autoestima de seus filhos

Crianças e adolescentes são expostos continuamente a conteúdos sobre padrões de beleza, dieta e estética em redes sociais como o Instagram e o TikTok. O uso excessivo dos aplicativos pode trazer danos à autoestima e incentivar comportamentos nocivos à saúde mental e física, segundo especialistas.

A psicóloga Camila Canguçu afirma que, no passado, as crianças construíam a imagem que tinham de si mesmas a partir da relação com familiares, amigos e o próprio ambiente físico. Agora, no entanto, esse processo muitas vezes se dá diante das telas.

“Com a internet, os aplicativos passaram a determinar, em grande medida, os modelos de comportamento que a criança seguirá”, diz ela.

Vale lembrar que os pequenos não têm maturidade suficiente para avaliar se os conteúdos nas redes sociais são adequados ou não. “O cérebro da criança não está formado ainda para tomar grandes decisões, o que envolve, por exemplo, parar de usar um site ao perceber que ele não é apropriado”, exemplifica a especialista.

No caso dos adolescentes, é comum a dificuldade para perceber que as imagens divulgadas na internet nem sempre correspondem à vida real.

“As redes sociais estão repletas de recortes, edições e filtros. Ao ver essas imagens modificadas, o adolescente compra a ideia de que ele precisa ter aquele corpo ou aparência para se sentir bem”, pontua o psicólogo Fellipe Augusto de Lima, do Ambulim (programa de transtornos alimentares do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo).

Nos casos mais extremos, a exposição excessiva às redes sociais pode levar ao desenvolvimento de transtornos alimentares, baixa autoestima, além de outros problemas psicológicos, segundo médicos. Conheça alguns sinais de alerta.

Mudanças bruscas de comportamento

Os especialistas recomendam que os pais prestem atenção em mudanças repentinas no modo de agir dos filhos. Um exemplo clássico é o isolamento. “Se a criança passa a ficar trancada dentro de um quarto e evita brincar ou fazer coisas de que gostava antes, algo pode estar errado”, orienta a psicóloga Canguçu.

Outro indício de exposição excessiva às telas e possíveis questões de autoestima é quando a criança se afasta de amigos e colegas.

Tempo de tela exagerado

Também é fundamental analisar se a criança ou o adolescente passa muitas horas usando o celular ou computador. “Os pais devem verificar os perfis que o filho está acessando e perceber o que é vendido, falado e defendido ali”, pontua Lima.

Para crianças de até dois anos de idade, o tempo de tela deve ser zero. “Daí para frente, falando de crianças de até cinco anos, o uso deve ser, no máximo, de uma hora diária, mas sempre com supervisão”, diz Canguçu.

Supervisionar não significa permanecer ao lado da criança o tempo todo enquanto ela usa o dispositivo, mas, sim, verificar previamente se os sites e jogos acessados por ela são adequados.

Mudança na alimentação e reclamações sobre o corpo

Em casos mais extremos, a pressão estética sofrida por crianças e adolescentes na internet é tão intensa que dá margem a transtornos alimentares. Ao buscar incansavelmente um padrão de beleza, os mais jovens podem desenvolver distúrbios de imagem e restringir a quantidade de comida ingerida.

Vale observar se o jovem reclama da aparência física com frequência, deixa de fazer as refeições com a família, se olha no espelho constantemente e fala sobre dietas e emagrecimento.

“Quando a criança ou adolescente vem com uma urgência de querer perder peso, ter que fazer uma dieta e começar a cortar grupos alimentares, como os carboidratos, é importante que a família fique atenta”, afirma Fellipe.

Além disso, é aconselhável notar se houve uma mudança no modo de se vestir, seja porque o jovem passou a usar roupas que escondem excessivamente o corpo ou mesmo o contrário, quando veste peças muito reveladoras.

Como os pais ou responsáveis devem agir?

Os especialistas enfatizam que é preciso, em primeiro lugar, conversar abertamente sobre os perigos das redes sociais, além de explicar que os conteúdos ali presentes costumam mascarar a realidade. Também cabe reforçar a ideia de que cada pessoa tem um corpo e características físicas diferentes.

Os pais devem, ainda, investigar a causa do desejo da criança de modificar a própria aparência. Os objetivos podem incluir a busca pela aprovação de colegas, o desejo de conseguir mais curtidas em redes sociais ou a tentativa de se inserir em algum grupo social.

Para incentivar a redução do uso de telas, os adultos devem guiar os filhos pelo próprio exemplo, reduzindo a frequência com que acessam a internet. Caso ainda assim os problemas persistam, é recomendável procurar acompanhamento médico e psicológico.

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Informação

Folha de São Paulo

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