O ‘voto de vingança’ que aparece nas pesquisas e ameaça Lula na reta final da eleição

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A menos de duas semanas da eleição, Lula continua numericamente à frente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, mas enfrenta dificuldades para ampliar sua vantagem mesmo depois de medidas como o reajuste do Bolsa Família. Na avaliação do colunista de VEJA Robson Bonin, do Radar, a nova pesquisa Quaest também capta um fenômeno que pode ajudar a explicar a aproximação do adversário: um sentimento de punição ao sistema político que ele define como “voto de vingança” (este texto é um resumo do vídeo acima).
No programa Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol, foram apresentados os números da nova rodada da Quaest. Lula aparece com 37% das intenções de voto, ante 36% anteriormente, enquanto Flávio tem 33%. Pela primeira vez nos levantamentos do instituto, foi registrado empate técnico no primeiro turno. Indecisos são 8%, e brancos, nulos e eleitores que afirmam não votar somam 7%.
Por que a pesquisa preocupa a campanha de Lula?
No segundo turno, a diferença numérica se inverte, mas permanece dentro da margem de erro. Flávio registra 42%, enquanto Lula tem 41%. Brancos e nulos somam 14%, e os indecisos são 3%.
A Quaest ouviu 2.004 eleitores entre os dias 17 e 20. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o índice de confiança é de 95%.
Bonin ponderou que o levantamento permite leituras positivas para os dois candidatos. Para ele, porém, um dos aspectos mais relevantes é a dificuldade de Lula de ampliar significativamente suas intenções de voto.
Por que Lula não consegue ampliar sua vantagem?
Bonin chamou atenção para o fato de que Lula dispõe da estrutura da Presidência e acaba de anunciar um reajuste no Bolsa Família, medida que, segundo o colunista, alcança mais de 20 milhões de famílias.
Mesmo assim, na avaliação dele, essas iniciativas não produziram até agora uma arrancada eleitoral do presidente. “Nada do que essa grande máquina da Presidência produza consegue fazer com que o presidente decole nas intenções de voto”, afirmou.
Para Bonin, Lula “continua no mesmo patamar” enquanto observa a aproximação de Flávio, que estaria explorando politicamente a crise provocada pelo caso Banco Master e suas repercussões em diferentes instituições.
O que é o ‘voto de vingança’ citado por Bonin?
O colunista atribui parte desse movimento à percepção de eleitores sobre o envolvimento de integrantes de diferentes Poderes na crise. Segundo Bonin, o episódio produziu uma sensação de deterioração mais ampla das instituições.
“É essa sensação de que um sistema como um todo apodreceu”, afirmou.
É nesse ambiente que, segundo ele, aparece o fenômeno do “voto de vingança”. Bonin descreve esse comportamento como uma manifestação punitiva de parte do eleitorado diante da crise.
“Há uma sensação que aparece nas pesquisas de que o sistema precisa ser, de alguma forma, vingado”, disse. “O eleitor está lendo aquilo que a gente já falou: o fenômeno do voto de vingança, um voto punitivista.”
Como Flávio se beneficia desse sentimento?
Na análise de Bonin, a crise acaba favorecendo eleitoralmente Flávio mesmo diante dos questionamentos que também atingem o candidato. O colunista ressaltou essa contradição ao afirmar que o próprio Flávio é investigado por relações com Daniel Vorcaro.
Ainda assim, Bonin vê no levantamento uma fotografia momentânea de um eleitorado que estaria reagindo de maneira punitiva ao conjunto do sistema, e não necessariamente a um único personagem.
A leitura do colunista é que esse ambiente ajuda a explicar por que Lula, apesar da vantagem numérica no primeiro turno e das medidas adotadas pelo governo na reta final, não consegue abrir uma distância maior. Com a disputa dentro da margem de erro no segundo turno, Bonin espera um cenário político ainda mais conturbado até a votação.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
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