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Oscilações no Brasileirão não são apenas por causa do equilíbrio técnico

O Palmeiras é um time de partida e de chegada, autossuficiente, que planeja e executa bem o que deseja. Já o Botafogo é uma equipe somente de partida, pela falta de confiança e, talvez, por não se sentir merecedor do título do Brasileirão.

O Palmeiras pode ser campeão no domingo (3). A ascensão de Endrick no momento decisivo do campeonato fortalece a equipe e compensa a falta de Dudu, contundido. Repito, Endrick começa a encontrar o seu lugar, sem posição fixa, com mais espaços para utilizar sua velocidade e sua precisão nas finalizações.

No futebol moderno, valoriza-se muito o jogador capaz de atuar bem em mais de uma posição e de executar bem mais de uma função. Isso é bom. Porém mais importante não é trocar de posição, mas, sim, ser capaz de no momento certo fazer coisas diferentes, como um volante que avança e finaliza bem. Os fundamentos técnicos são inúmeros, e é preciso executá-los bem.

O Atlético-MG, que enfrenta o São Paulo na noite de sábado (2), foi preciso contra o Flamengo, na marcação e nos contra-ataques. As duas linhas de quatro, usadas pelo Atlético-MG, são a melhor estratégia de marcação, ainda mais quando se tem uma ótima e veloz dupla para os contra-ataques, com Paulinho e Hulk.

Edenilson, que brilhou no Inter jogando de volante, voltou a ser escalado nessa posição por Felipão, onde aproveita sua capacidade de desarme e de velocidade nos contra-ataques, como no gol contra o Flamengo. Coudet, no Galo, escalava-o pela direita ou como um meia mais avançado, centralizado. Não é o seu lugar, pois não tem habilidades para jogar em pequenos espaços. Uma das qualidades importantes de um treinador é escalar os jogadores nos lugares certos.

Repito, o Flamengo só vai voltar a ser uma grande equipe e com regularidade quando associar um ótimo jogo coletivo à escalação dos melhores jogadores, como Bruno Henrique pela esquerda e Everton Ribeiro pela direita.

Muitas vezes, um jogador toma decisões rápidas com sucesso. Mas, como há um endeusamento dos treinadores, costumam dizer que foi tudo planejado e ensaiado. A improvisação é tratada como algo menor, intuitivo. Quanto mais desenvolvida a ciência, mais importante é o ato criativo, pois surpreende.

As mudanças inesperadas de resultados no segundo tempo, cada vez mais frequentes, são geralmente atribuídas a alterações táticas e às escalações feitas pelo técnico. O fator mais determinante de mudanças no segundo tempo é o que ocorreu no primeiro. Os times reagem ou se acomodam de acordo com a história da primeira etapa.

Algumas vezes, a estratégia do treinador é fundamental na atuação e no resultado da equipe. Na final da Copa de 70, contra a Itália, o técnico Zagallo definiu que eu jogaria na frente do zagueiro de sobra, para evitar que ele saísse na cobertura de outro defensor. Combinamos também que, quando Jairzinho se deslocasse para o centro e fosse seguido pelo lateral, já que a Itália fazia marcação individual, o lateral Carlos Alberto aproveitaria esse espaço para avançar e finalizar, como no quarto gol. Foi uma vitória da estratégia e do talento individual.

As frequentes oscilações dos times no Brasileirão não são apenas por causa do equilíbrio técnico, como diz o lugar-comum. As equipes possuem problemas, como o de não ser eficiente no mesmo jogo na defesa e no ataque. Ganham e perdem de acordo com o momento. Seguem a dualidade humana, sucesso ou fracasso, razão ou paixão, bem ou mal.


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Folha de São Paulo

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