Economia

Para Flybondi, ambiente atual dificulta operação de aérea low cost no país

Mauricio Sana: Segurança e qualidade não são negociáveis. Cumprimos todos os procedimentos, normas e regulamentos de segurança local e internacional. Nosso modelo se baseia na eficiência de todos os processos das companhias aéreas comerciais para garantir o maior número de passageiros em cada voo. Desde a nossa chegada, mostramos que a eficiência é possível e lucrativa. Um foco rigoroso na gestão de recursos aliado a operações ágeis nos permitiu oferecer tarifas competitivas e acessíveis sem sacrificar a qualidade do serviço. Isso pode ser visto nos números do mercado argentino.

R$ 8,60 do valor da passagem é para pagar processos

A quantidade de demandas judiciais por passageiro transportado é 6 vezes mais alta e 5 vezes mais custosa da parte dos passageiros brasileiros que dos argentinos na Flybondi, segundo a empresa
A quantidade de demandas judiciais por passageiro transportado é 6 vezes mais alta e 5 vezes mais custosa da parte dos passageiros brasileiros que dos argentinos na Flybondi, segundo a empresa Imagem: Flybondi, com tradução do UOL

UOL: Qual a diferença entre o mercado regulatório argentino e o brasileiro?
Mauricio Sana: Atualmente, na Argentina, o novo governo está trabalhando em políticas que favoreçam a competitividade, destinadas a melhorar a qualidade de vida dos viajantes, o que vemos de forma muito favorável. O Brasil precisa iniciar esse caminho para atrair novos concorrentes ou para que os atuais possam ser redesenhados. Para citar exemplos específicos de excesso de regulamentação que impactam diretamente o modelo, gerando custos extras “artificiais”, estão os seguintes:
Litígio: Atualmente, o impacto de uma ação judicial é 30 vezes maior se for brasileiro do que se for argentino. O Brasil possui um dos maiores índices de litígios do mundo, o que representa um desafio significativo para as companhias aéreas no estabelecimento de padrões de conformidade ou no contrato de transporte aceito por cada passageiro no momento da compra. Se essa tendência se continuar na legislação vigente no Brasil, o modelo não é viável para a Flybondi. Isso destaca a importância de abordar mais profundamente os desafios jurídicos no mercado brasileiro.

Enquanto, na Argentina, de cada passagem, US$ 0,06 são destinados para despesas com litígios, no Brasil, esse valor é 31 vezes maior, chegando a US$ 1,70. A quantidade de demandas por passageiro transportado é seis vezes mais alta e cinco vezes mais cara no Brasil do que em comparação com a Argentina
Mauricio Sana, CEO da Flybondi

Bagagem “gratuita”: É falso que todos os passageiros em todos os voos precisem transportar bagagem. Graças a esta conclusão, companhias aéreas como a nossa tomam a iniciativa de oferecer serviços “à la carte”, onde cada passageiro paga pelo que realmente utiliza ou está disposto a utilizar (não só com malas, mas também com todos os outros serviços que oferecemos). Desta forma garantimos acessibilidade de preços aos passageiros que podem viajar com pouca bagagem e que não teriam condições de pagar custos adicionais.
Além disso, definições como estas requerem avaliação dos impactos econômicos e operacionais. Posso dizer que também é falso que alguma companhia aérea no mundo inclua bagagem verdadeiramente gratuita, porque isso não seria viável. O manuseio de bagagens gera consumo de combustível, investimento em serviços logísticos e mais litígios que geram custos operacionais para as empresas. Esses custos são repassados aos passageiros nas tarifas e os passageiros que não utilizam o serviço de bagagem acabam pagando por ele. Logo, não é gratuito. Promovemos a transparência das tarifas e serviços e, como podem ver, estes tipos de definições prejudicam essa transparência.

Matéria: UOL Economia

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