Parlamentares cobram medidas para salvar o BRB e articulam CPMI contra ‘corrupção e má gestão’

Um grupo de parlamentares federais se reuniu com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, nesta quarta-feira (20), para exigir medidas de fiscalização e proteção institucional do Banco de Brasília (BRB). A mobilização ocorre em meio à crise de governança e às denúncias envolvendo a compra de “créditos podres” do Banco Master pela instituição financeira pública do Distrito Federal.
A audiência de emergência, solicitada pelas deputadas federais Fernanda Melchionna (Psol-RS) e Sâmia Bomfim (Psol-SP), buscou separar a importância estratégica do banco da atuação de seus atuais gestores. Para os parlamentares, o BRB deve ser tratado como vítima de um esquema que ameaça o patrimônio público e os serviços financiados pela instituição.
“O nosso espírito é cobrar do Governo do Distrito Federal medidas concretas para salvar o Banco de Brasília nessa crise e também diferenciar que o Banco de Brasília é vítima tanto dos corruptos, mas também vítima do sistema financeiro”, afirmou o deputado distrital Fábio Felix (Psol-DF) após o encontro. Segundo ele, a prioridade é garantir a preservação do banco e proteger os recursos públicos.
O BRB é responsável pela operação de ativos estratégicos do Distrito Federal, como o pagamento do funcionalismo público, programas sociais e fundos habitacionais. Por isso, parlamentares alertam que uma eventual desestabilização da instituição pode provocar impactos sociais e econômicos significativos.
O deputado distrital Max Maciel (Psol-DF) destacou que o banco pertence à população do DF e tem papel central na economia local. “O banco BRB é um banco da população do DF, dos funcionários públicos, dos ativos sociais importantes, como a bilhetagem e os programas sociais. Então, a nossa busca, a nossa defesa, é salvar o banco. Um banco que é para Brasília e de todos os brasileiros”, declarou.
A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) também defendeu a preservação da instituição. “Nós temos uma nítida compreensão de que o BRB é vítima e que é preciso buscar todas as soluções necessárias para preservar o banco”, afirmou.
Ofensiva no Congresso
Além da pressão junto ao Banco Central, o grupo articula a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso Nacional. O requerimento para abertura das investigações já conta com 171 assinaturas de deputados federais e o número mínimo necessário de senadores.
A proposta é investigar uma suposta rede de corrupção que, segundo os parlamentares, envolveria governadores ligados à extrema direita, além do senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
“Pedimos essa reunião porque, evidentemente, o povo não pode pagar a conta da crise, da corrupção e da má gestão. Infelizmente, nós vemos que os governadores vinculados à extrema direita, além também de Flávio Bolsonaro, estão diretamente envolvidos nessa rede que custou caro ao povo brasileiro”, declarou Fernanda Melchionna.
Para a deputada, a sociedade tem direito à transparência sobre o caso. “O povo tem direito de saber. Nós queremos investigação já, doa a quem doer”, completou.
Saídas financeiras
Durante audiência pública no Senado Federal nesta terça-feira (19), o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, foi questionado sobre a situação financeira da instituição. Embora tenha evitado comentar diretamente o caso do BRB por questões de sigilo, Galípolo explicou que bancos em dificuldade possuem, basicamente, dois caminhos para reequilibrar as contas: a venda de ativos ou o aporte de capital.
De acordo com o presidente do banco, o aporte deve vir dos acionistas atuais ou de novos investidores para reforçar o patrimônio e enquadrar o banco nas normas exigidas. No caso do BRB, o acionista majoritário é o Governo do Distrito Federal (GDF).
Ele acrescentou que esse reforço financeiro precisa vir de fora da instituição. “Esse aporte de capital tem que vir ou do acionista atual ou de um novo acionista que venha reforçar o patrimônio do banco e enquadrar o banco nas necessidades que ele possa ter para ser reenquadrado”, explicou.
A senadora Leila do Vôlei (PDT-DF) demonstrou preocupação com o tamanho do aporte necessário para manter o banco operando. “Qual é o volume de aporte necessário para o BRB continuar de pé? A gente não tem a menor ideia. Toda hora vem um número, vem uma polêmica”, questionou.
Ela também alertou que, caso o aporte seja realizado pelo GDF, os recursos sairão diretamente dos impostos pagos pela população do Distrito Federal. A atuação do governo de Ibaneis Rocha (MDB) e Celina Leão (PP) tem sido alvo de críticas pela falta de transparência sobre a dimensão do prejuízo relacionado aos investimentos no Banco Master. Para os parlamentares, o GDF ainda não apresentou uma proposta concreta para conter a crise.
“O GDF também não pode se omitir diante da gravidade dessa situação. É preciso agir agora para proteger o BRB”, afirmou a articulação parlamentar em publicação nas redes sociais.
Apoie a comunicação popular no DF:
Faça uma contribuição via Pix e ajude a manter o jornalismo regional independente. Doe para [email protected]
Siga nosso perfil no Instagram e fique por dentro das notícias da região.
Entre em nosso canal no Whatsapp e acompanhe as atualizações.
Faça uma sugestão de reportagem sobre o Distrito Federal, por meio do número de Whatsapp do BdF DF: 61 98304-0102



