‘Pena deve ser mais dura para políticos’, diz presidente da Alerj, abalada por prisões

Em meio a uma crise de imagem da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), o presidente da Casa, Douglas Ruas (PL), defendeu “pena mais dura” para políticos envolvidos em ilícitos na comparação com as punições dadas ao cidadão comum. Em sete meses, três deputados estaduais do Rio foram presos pela Polícia Federal: TH Joias, em setembro do ano passado; Rodrigo Bacellar (União Brasil), em março deste ano, pela segunda vez; e Thiago Rangel (Avante), em maio. Os escândalos de corrupção e de ligação com o crime ogranizado colocam em alerta o Legislativo, que vive o constante temor de novas “visitas” da PF.
Pré-candidato a governador, Ruas tem o desafio de recuperar a confiança da população no Legislativo fluminense e de se descolar dos colegas investigados. Isso até outubro, quando haverá eleições. “Todos os setores possuem profissionais bons e ruins, e não podemos generalizar pela conduta de um ou outro. Quem comete erros precisa ser punido. No caso de políticos, precisa existir um agravante: ele conquista a confiança da população, ganha o mandato e, quando se envolve em atos ilícitos, a pena deve ser mais dura”, disse o presidente da Alerj em entrevista ao canal TMC, sem explicar os caminhos para levar a uma maior punição.
Ele citou as providências adotadas pela Assembleia na prisão de Rangel. Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), ele foi afastado pela Casa, que destituiu seu gabinete. O STF também decidiu que o parlamentar deveria seguir atrás das grades, sem possibilidade de soltura por meio de votação em plenário. Bacellar, ex-presidente da Alerj, chegou a ser “salvo” pela Alerj, mas acabou sendo novamente preso.
Escândalos em série
Alvo da 4ª fase da Operação Unha e Carne, Rangel é apontado como o gestor no Noroeste do estado do esquema de corrupção liderado por Bacellar na Secretaria estadual de Educação. A investigação indica, no entanto, que as fraudes com obras em escolas ocorriam em todo o Rio de Janeiro e que outros políticos estariam envolvidos.
Antes disso, Bacellar foi preso por suspeita de vazar informação da operação da PF que prenderia TH Joias, acusado de ser o braço político do Comando Vermelho. A investigação contra Rangel destaca o poder de Bacellar e da Alerj sobre o governo do Rio enquanto o Legislativo estava sob o comando do político. “(…) sob a administração de Rodrigo Bacellar a Alerj potencializou sua influência na tomada de decisões que estariam inseridas no rol de prerrogativas do Governador do Estado, como por exemplo a nomeação dos Secretários de Fazenda, Assistência Social, Educação, Polícia Militar e, certa vez, Polícia Civil”. Além disso, a PF aponta para um esquema de corrupção muito maior: “Acredita-se que o esquema criminoso seja mais amplo e tenha sido estruturado em todo o Estado do Rio de Janeiro, com base no apoio político dado a Rodrigo Bacellar”, ressalta a polícia.
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