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Plantio de laranja avança e ganha espaço da soja na região de Maringá – 08/04/2024 – Vaivém

A soja, responsável pela redução dos laranjais no norte e noroeste do Paraná, agora perde terreno para a fruta. Os preços da oleaginosa já não são tão atraentes, principalmente devido à alta dos custos de produção, e os da laranja dispararam, atingindo os maiores valores em 30 anos.

Por acreditar que a cultura da laranja será atraente daqui para a frente, devido à manutenção da demanda e à redução na oferta de suco, o produtor voltou a apostar na fruta na região de Maringá.

Essa decisão é viável, mas precisa ser muito bem analisada, uma vez que a cultura da laranja é perene e necessita de altos investimentos, com o retorno inicial vindo apenas três anos depois.

Para Amanda Caroline Zito, gerente técnica de culturas perenes na Cocamar, cooperativa com sede em Maringá, “o jogo virou”. O produtor quer investir e procura formas com a cooperativa e com as indústrias de processamento.

Os novos tempos da citricultura passam, no entanto, pela ameaça do greening. A doença, também conhecida como huanglongbing ou HBL, de origem asiática, afeta a citricultura do mundo todo e avança pelo Brasil.

Pragas e doenças são responsáveis por mais de 50% do custo de produção. A doença de maior impacto é a transmitida pelo psilídeo “Diaphorina citri”, transmissor da bactéria que causa o greening. Ele dura de 15 dias, no verão, a 40 dias, no inverno.

O Paraná não ficou isento aos efeitos da doença, que leva à erradicação das plantas infectadas. Efeitos do greening e idade avançada dos pomares fizeram o produtor buscar o plantio de soja nos últimos anos, reduzindo a área de laranja, diz Amanda.

“Agora ele se animou, e o aumento de área pode chegar a mil hectares na região.” Entre as propostas de capitalização dos produtores para efetuar o investimento, está o pagamento dos financiamentos em caixas de laranja que serão produzidas.

A cooperativa, embora tenha vendido a sua fábrica de suco para a Louis Dreyfus, administra algumas operações junto ao produtor, inclusive a de orientações técnicas.

O preço da laranja é um dos motivos de ânimo dos produtores em aumentar a produção. Estava a R$ 38 por caixa no ano passado. Neste, subiu para R$ 70, mas alguns produtores conseguem valores superiores a R$ 100, dependendo da necessidade do varejo e da indústria.

A redução de produção foi intensa nos últimos anos. A Cocamar, que recebia 6 milhões de caixas de laranja há seis anos, obteve apenas 2,5 milhões nesta safra.

Amanda acredita na recuperação da oferta porque o salto nos preços da fruta permitiu um melhor manejo dos pomares. A laranja virou uma fruta gourmet e, nos próximos anos, deverá ter um bom valor, afirma a gerente técnica da cooperativa.

Além disso, novas moléculas de combate às pragas estão chegando aos pomares, o que pode melhorar a produtividade. Para ela, o lado ruim é que esses novos produtos vêm com preços seis vezes superiores aos até então utilizados.

As características da produção no Paraná são diferentes das de São Paulo, maior produtor nacional. Os produtores paranaenses têm, em média, de 15 mil a 20 mil plantas. Alguns chegam a ter apenas 2.000 pés da fruta.

“Por isso, precisamos ser mais rigorosos no controle dos laranjais. Aqui são pequenos produtores, e, quando a doença entra em uma propriedade, se espalha por várias outras.”

“Estamos todos assustados, mas é feito um manejo tanto dentro como fora da porteira”, afirma Amanda. Como as propriedades paranaenses são de menor tamanho, o controle começa nos vizinhos.

Primeiro, há uma conversa para a conscientização sobre a necessidade de erradicação de plantas afetadas ou uma troca por outras espécies de frutas como jabuticaba, lichia e coco.

Quando não há acordo, o produtor de laranja tenta pelo menos uma licença para o acompanhamento da doença na propriedade ao lado. “Afinal, manter um pé de limão na propriedade chega a ser uma questão cultural”, diz a gerente técnica.

Outra saída no combate à doença em propriedades vizinhas é a soltura de uma vespinha produzida em laboratório, a “Tamarixia radiata”, que usa as ninfas do psilídeo para a reprodução, matando-as nesse processo.

Dentro da porteira, o controle tem de ser contínuo. São colocadas cartelas amarelas com cola a cada 150 metros do pomar, e o monitoramento vai indicar a quantidade de insetos presos à cartela e a necessidade de pulverizações.

Não existe ainda um controle eficiente da doença, e o combate é feito também com inseticidas. O produtor tem de utilizar defensivos que façam parte de uma lista de produtos que estejam em conformidade com a legislação internacional.

As cadernetas de campo dos produtores passam pela auditoria da indústria nove vezes por ano, diz a gerente da Cocamar.

O controle dos insetos é feito há muito tempo, e houve uma melhora, mas a presença do greening é intensa. A região ainda não atingiu, entretanto, patamares de algumas regiões de São Paulo, onde a produção de laranja ficou inviável, segundo ela.

A área da região dedicada à citricultura próxima a Maringá soma 20 mil hectares e uma das saídas financeiras para os novos plantios é o consórcio da laranja com o mamão nos primeiros anos, enquanto o pomar ainda não traz renda.

Matéria: UOL Notícias

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