Economia

Por que Brasil cresce e mercado quer que Lula corte gastos?

Embora tenha apresentado uma pequena melhora no primeiro trimestre do ano, a taxa de investimento ainda está abaixo do esperado. “Esse investimento reflete a confiança do produtor no futuro”, diz Kessler. “Mas não é o que acontece no Brasil atualmente.”

O empresariado contrata funcionários, “mas o investimento está caindo”. “É como fazer um bolo”, compara a professora. “Em vez de dobrar todos os ingredientes para ele crescer, só estão dobrando o fermento [contratações]. Quando outras pressões chegarem, esse bolo vai murchar.”

Círculo vicioso ou virtuoso. O governo incentiva, por exemplo, os investimentos no PAC, o programa de infraestrutura que nasceu no segundo governo Lula, em 2007. Mas os juros altos, mantidos pelo Copom em 10,5% na reunião de 19 de junho, afastam investidores. Ironicamente, a alta do emprego preocupa agentes do mercado porque incentiva o consumo e pode impactar a inflação. Assim, os juros precisam ficar altos para segurar o índice.

O crescimento da economia já começou a diminuir. O Boletim Focus projeta crescimento de 2% este ano, e mesmo a projeção de 2,3% do Banco Central é inferior ao desempenho do ano passado (2,9%), puxado pelo agronegócio, que neste ano foi afetado pelo desastre no Rio Grande do Sul.

Indústria contrata, mas não investe em maquinário e tecnologia, diz economista
Indústria contrata, mas não investe em maquinário e tecnologia, diz economista Imagem: José Paulo Lacerda/CNI

Dívida pública em alta é problema

Dívida pública não para de crescer. Até 2014, ela equivalia a 50% do PIB, diz Kessler. “A partir de 2015, começou a subir muito mais rápido e a gente periga chegar ao final do ano a 80%”, diz. “Com o aumento do endividamento, o investidor exige receber mais [e pede alta dos juros] para colocar dinheiro no Brasil.”

Matéria: UOL Economia

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