Esporte

Por que torcemos para quem torcemos

Em regra, nascemos carimbados com o time de nossos pais.

Há, é claro, os que fogem à regra. E tudo bem.

A escolha de um time para torcer, quando não vem de berço, varia de cada um para cada um.

Esconder o time de coração é fraqueza que também fica por conta de cada um.

Jamais escondi o meu e me sentiria simplesmente ridículo se o fizesse.

Como olhar para minha família, meus amigos, enfim, para quem me conhece?

Daí a distorcer vai enorme distância.

Aliás, apanho mais de corintianos que dos demais torcedores.

À medida que o tempo passa, novas preferências se instalam, sem prejudicar a do DNA.

O Barcelona, pela Catalunha, chegou antes até mesmo de ser também o de Johan Cruyff, ou de Romário, Ronaldos, Rivaldo, Xavi, Iniesta, Lionel Messi e, principalmente, Pep Guardiola.

Torcer contra Guardiola é quase torcer contra o futebol, ainda mais quando ao lado dele tem um belga genial como Kevin De Bruyne.

Mas e Jürgen Klopp?

Como não torcer por ele?

Ainda mais, repita-se o ainda mais, quando dirige o Liverpool, da torcida mais comovente do Planeta Bola com o seu hino “Você nunca caminhará sozinho”, sem poder escalar 11 jogadores, seis deles titulares, numa decisão de taça, como a Copa da Liga Inglesa, contra o Chelsea e no santuário de Wembley, lotado, dividido civilizadamente entre vermelhos e azuis.

O gol de Virgil Van Dijk ao faltarem três minutos para acabar a prorrogação de jogo que deveria ter acabado 3 a 3 —e terminou 0 a 0 por causa de defesas monstruosas de ambos os goleiros e da travessura das duas traves—, fez justiça.

O Liverpool disputou a decisão com apenas cinco titulares e não foi porque quis, não foi por usar time alternativo, mas pela escalação do time possível, tantos são os jogadores entregues ao departamento médico.

Klopp, em temporada de despedida dos Reds, queria porque queria ir embora com títulos. E já garantiu um, além de poder ainda vencer a Premier League, que lidera, um ponto acima do Manchester City de Guardiola, em busca do inédito tetracampeonato inglês.

Telê Santana já me fez torcer pelo São Paulo, exceção feita quando o adversário era o Corinthians

Aliás, ele se recusava a conversar comigo em véspera de Majestosos.

Mané Garrincha, Didi e Nilton Santos fizeram de mim um garoto botafoguense, exceção feita quando o adversário era o Corinthians…

Tostão me fez cruzeirense e Reinaldo me fez atleticano.

Transferi-me com Rivellino com armas e bagagens para o Fluminense quando a Fiel cometeu contra ele a maior injustiça de sua heroica história.

Como não se deixar levar no Maracanã sob o som de “Oh, meu Mengão, eu gosto de você” e a bola nos pés de Zico?

Há quem diga que corinthiano, com h, não gosta de futebol, gosta do Corinthians.

Devo ser exceção à regra, porque a cada meio e fim de semana gosto mais do jogo e fiquei comovido com a épica conquista do capitão Van Dijk e a garotada de Klopp em Londres, tão fria e distante de São Paulo.

Porque o futebol nos transporta para uma dimensão de sonho que só quem gosta é capaz de entender.

Às vezes, nem quem gosta entende.

USTRAPALOOZA

Celso Rocha de Barros brilhou ao batizar.

O que vimos na Paulista limitou-se a ato neopentecostal de adoradores de torturador como o coronel Ustra e nem sequer os pneus compareceram.

Os democratas só não podem subestimar os golpistas.


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Folha de São Paulo

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