Política

Precatórios do caso Vorcaro surgiram da corrupção de PC Farias e Collor, revela Xico Sá

O escândalo do Banco Master envolve o pagamento de precatórios e decisões de tribunais de justiça que têm origem há mais de 30 anos, na época em que o Brasil era governado por Fernando Collor e tinha PC Farias como uma das figuras mais poderosas do país.

A apuração é do jornalista Xico Sá e foi revelada em primeira mão ao Brasil de Fato em entrevista sobre o novo livro do escritor, “Tesoureiro”, que conta a trajetória de PC Farias, morto há 30 anos em um caso ainda sem solução e pivô do escândalo de corrupção que culminou no impeachment de Collor, em 1992.

“Eu descobri, depois do livro já lançado, uma rede que liga diretamente o Vorcaro com o PC Farias, que mostra como os escândalos no Brasil estão muito ligados”, revela Xico Sá.

A ligação se dá pelo fato de que os tais precatórios adquiridos pelo Banco Master de Daniel Vorcaro têm origem no fechamento do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), decisão do então presidente Collor.

“Está todo mundo falando dos precatórios do Banco Master, que são papéis emitidos pelo Estado em que o cara recebe mediante uma promessa de pagamento futuro”, explica. “E os precatórios do Banco Master são simplesmente os precatórios saídos do Instituto do Açúcar e do Álcool, o famoso IAA, da gestão Collor. O Collor fecha o IAA, o PC Farias negocia esses precatórios que, anos depois, acabam nas mãos de quem? Daniel Vorcaro e o Banco Master”, concluí.

A atual investigação da Polícia Federal aponta que Daniel Vorcaro teria comprado decisões judiciais para garantir que os precatórios transitassem em julgado, o que significa uma decisão definitiva do caso, obrigando a União a pagar o valor em questão.

A discussão envolvendo os precatórios do setor sucroalcooleiro tem origem em ações ajuizadas por usinas contra a União em razão da política de preços adotada pelo extinto IAA. As empresas alegaram ter sofrido prejuízos porque os preços fixados pelo governo ficaram abaixo dos custos de produção. Anos depois, parte dessas ações resultou em condenações contra a União e avançou para a fase de execução.

Parte dos créditos judiciais foi adquirida pelo banco ou por fundos ligados às operações investigadas.

É deste caso que surge o escândalo da chamada “turma do KN”, que seria uma referência ao ministro Kássio Nunes Marques.

Um contrato de R$ 427 milhões foi assinado entre o Master e o escritório da advogada Camilla Ramos, esposa do desembargador Newton Ramos, do TRF1. O valor seria pago em caso de sucesso nas causas referentes ao setor sucroalcooleiro. O contrato foi encontrado pela Polícia Federal (PF) no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Nesta semana, a Advocacia-Geral da União (AGU) conseguiu mais uma vitória sobre este caso com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para cancelar 14 precatórios do setor sucroalcooleiro emitidos de forma irregular e a restituição de cerca de R$ 2,36 bilhões à União.

Antes disso, em 23 de setembro, 16 precatórios relacionados ao setor sucroalcooleiro também foram cancelados e determinada a devolução de aproximadamente R$ 4,7 bilhões à Conta Única do Tesouro Nacional.




Brasil de Fato

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