PT pede que Flávio Bolsonaro seja investigado por interferência dos EUA nas eleições brasileiras

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu que Flávio Bolsonaro seja investigado por abrir portas para uma possível interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro. A ação apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que tem mais de cem páginas, pede que o Zero Um tenha a chapa cassada e fique inelegível por abuso de poder político, econômico e dos meios de comunicação. Já diante do Supremo Tribunal Federal (STF), a sigla ingressou em uma ação que debate a eficácia de atos estrangeiros no Brasil e pediu a investigação de Flávio.
O pedido do PT no TSE é uma ação de investigação judicial eleitoral (AIJE), mesmo tipo de processo que deixou o ex-presidente Jair Bolsonaro inelegível. Se Flávio e seu vice, Alfredo Gaspar, forem condenados, eles podem ficar impedidos de disputar qualquer cargo eletivo por 8 anos e terem a chapa cassada.
Além do episódio do tarifaço — em que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro admitiu ter costurado sanções contra o Brasil em troca da inocência do pai –, a ação eleitoral enumera uma série de condutas de Flávio como continuidade a esse movimento de abertura à interferência americana. Reuniões com assessores do Departamento de Estado dos EUA, a proposta de enquadrar PCC e CV como terroristas e a recepção de influenciadores alinhados ao bolsonarismo no consulado americano em São Paulo são alguns dos exemplos apontados na ação.
A ação argumenta que existe um “método” por trás de sucessivos ataques capitaneados por Flávio, que teriam, como objetivo final, impulsionar a sua campanha em detrimento da de Lula. Eduardo é apontado como um articulador do irmão. “O resultado perseguido é a criação e a manutenção de um ambiente de profunda instabilidade institucional e eleitoral, agora sustentado não apenas por conteúdo falso sobre o sistema de apuração dos votos ou violação a direitos humanos, mas por atos concretos de retaliação econômica e de sanções pessoais impostas por potência estrangeira: a superfície é discursiva, mas o que a ampara é o aparato estatal norteamericano”, diz trecho da ação.
“A forma das várias hostilidades contra a economia, o governo e autoridades brasileiras tem aparência diplomática; mas, a finalidade e o efeito são intencionalmente eleitorais e sempre em benefício da candidatura do representado Flávio Nantes Bolsonaro, Senador da República que, pessoalmente e em conjunto com seu irmão e também investigado Eduardo Bolsonaro, tomou parte em negociações paralelas com altas instâncias governamentais estrangeiras (Presidente dos Estados Unidos da América e Secretário de Estado do mesmo país), conduzidas à margem dos canais oficiais do Estado brasileiro”, afirma outro ponto do pedido enviado ao TSE.
A Coligação Brasil pronto pra Mais, que abriga o PT, também afirma que existem indícios de que Flávio Bolsonaro teria recebido dinheiro de uma entidade americana, a Rockbridge Network, para financiar a sua campanha. Por isso, na ação, a sigla pede que o TSE ordene uma série de diligências — pedidos de documentos, ofícios e depoimento de testemunhas — para investigar se a suspeita procede.
A ação do TSE foi distribuída ao ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. Já o pedido apresentado ao STF está em uma ação judicial que já é relatada por Flávio Dino.
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