Economia

Queda do dólar depende de falas de Lula e atuação do BC

Banco Central pode intervir

O Banco Central pode atuar para segurar o câmbio. A autarquia tem poder para colocar dólar no mercado e segurar a desvalorização do real, e há uma pressão para que ela atue no cenário atual.

Para isso, o BC faz leilões da moeda americana. Os principais instrumentos para isso são o leilão de dólar à vista, que é a venda da moeda diretamente, e o leilão de swap cambial, que permite que o investidor ganhe com a valorização do dólar sem ter que comprar a moeda, o que na prática reduz a pressão no câmbio.

Intervenção do BC poderia gerar queima de reservas sem resultado efetivo. Para Sérgio Vale, da MB Associados, a venda de dólares pelo BC precisaria ser muito bem pensada com foco em reduzir a volatilidade. Caso contrário, seria como “enxugar gelo”, e poderia levar à perda de reservas sem gerar o efeito esperado.

Atuação do BC deve ser coordenada com as sinalizações do governo. “A atuação do BC pode conter alguma coisa, mas de nada vai adiantar se o governo não sinalizar controle de despesas e não mudar a postura de guerra com o BC”, diz Neto, da Tendências. Para Roncaglia, da Unifesp, a ação isolada do BC poderia até causar algum efeito, mas seria algo incerto. “Com o alinhamento das falas, tende a ser algo certo, seguro e persistente”, diz.

Ainda assim, a desvalorização do dólar seria moderada. Mesmo com essa atuação coordenada entre governo e Banco Central, o dólar não teria uma trajetória de queda acentuada. Isso porque o cenário americano continua pressionando as moedas emergentes. Segundo Silvio Neto, da Tendências, se o real tivesse um comportamento em linha com a média das moedas de emergentes em 2024 até junho, estaria hoje no patamar de R$ 5,10.

Matéria: UOL Economia

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