Ray-Ban da Meta viram arma de assédio, diz estudo; entenda

Um estudo publicado pela Universidade de Sydney, na Austrália, alertou para o uso de óculos inteligentes da big tech americana Meta (M1TA34) em situações de assédio e violação da privacidade de mulheres, com a divulgação das imagens nas redes sociais.
Os vídeos que motivaram a pesquisa estão relacionados a comunidades chamadas de “gurus da sedução”, que utilizam os óculos para abordar mulheres com o objetivo de conseguir o número de telefone ou o perfil delas no Instagram. Os pesquisadores constataram que as interações são gravadas sem que as mulheres percebam e compartilhadas nas redes sociais com o objetivo de gerar engajamento, entretenimento e validação social.
A análise de 350 vídeos publicados entre 2023 e 2026 mostra que 60% das interações foram classificadas como possíveis casos de assédio. Os resultados preliminares apontam ainda que os vídeos frequentemente envolvem “comportamentos que ultrapassam limites”, incluindo a insistência, mesmo depois de as mulheres demonstrarem desconforto, recusarem a abordagem ou tentarem encerrar o contato.

Lançados em 2023 nos Estados Unidos e em 2025 no Brasil como uma promessa de inovação tecnológica, os óculos logo se tornaram tendência entre os amantes de tecnologia. No entanto, por serem quase indistinguíveis de óculos comuns, os dispositivos podem ser usados para gravar sem que as pessoas percebam.
Com design da Ray-Ban, possuem câmera com resolução 3K e recursos de inteligência artificial (IA) capazes de interagir e fazer traduções em tempo real, além de integração direta com o Instagram e o Facebook, o que possibilita o compartilhamento das gravações em tempo real.
Para os pesquisadores, essa facilidade cria uma segunda camada de violência, além daquela provocada pela abordagem. Em cerca de 43% dos vídeos analisados, as mulheres também foram expostas a comentários ofensivos na internet. Em alguns casos, os comentários chegaram a revelar informações pessoais delas.
As gravações são feitas em primeira pessoa e mostram homens abordando mulheres em situações cotidianas. Algumas das mulheres incluídas no estudo foram filmadas no trabalho, na academia ou na praia, usando trajes de banho.
A conclusão dos pesquisadores é de que “não há mais espaços privados” e que os óculos inteligentes “representam um risco previsível para mulheres e crianças” já que as filmagens secretas ocorrem cada vez mais em ambientes cotidianos nos quais as pessoas poderiam razoavelmente esperar algum nível de privacidade.
Grande parte dos registros são em inglês, mas o óculos também já causou polêmica no Brasil. Um ginecologista foi denunciado, em Salvador, por usar óculos inteligentes durante o atendimento a uma paciente.
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Diante de relatos como esse o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e a Coding Rights acionaram o Ministério da Justiça e o Ministério Público Federal (MPF), além da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) por riscos de violência, assédio e violação de direitos, especialmente para mulheres e menores de idade.
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