Economia

Record, SBT e Band perdem peso para streaming, diz Kantar

O streaming superou a participação de Record, SBT e Band na audiência do brasileiro no horário nobre. É o que mostra o relatório mais recente do Kantar Ibope.

Em maio deste ano, a fatia das três emissoras na audiência nacional foi menor do que os conteúdos assistidos em plataformas como YouTube, Netflix, ou na própria internet.

Juntas, as três emissoras detiveram 21,3% de participação ante 23,2% do CSR, sigla usada pelo Kantar para classificar o streaming. A liderança é da Globo com 36,1% de participação da audiência.

Esse peso vem aumentando em desfavor das emissoras. Em abril, a proporção foi de 20,9% contra 23%, respectivamente.

Isso, no entanto, não significa que a audiência da internet seja maior do que a da TV aberta.

O Kantar também realiza o monitoramento da audiência, comparando a TV aberta com o streaming, mas esse índice é controverso.

A tensão com as emissoras em relação a essa aferição é tamanha que, em maio, a CEO do Kantar, Melissa Vogel, se demitiu. Por meio de sua assessoria, a empresa nega qualquer relação entre a saída de sua executiva e a pressão dos radiodifusores.

Por trás de sua saída estava a proposta de tratar a audiência do streaming da mesma forma como o instituto faz com Globo, Record, SBT e Band.

Pelos dados do instituto, a audiência do streaming já seria maior que a das três emissoras juntas no horário nobre, segundo dados de maio obtidos pelo Painel S.A..

No entanto, os indicadores mostram que na audiência da internet (CSR) entram todos os conteúdos de vídeo em circulação na internet: VOD (Netflix, por exemplo), pendrive, noteboook e, em boa parte, até conteúdo da própria TV aberta exibido fora da grade.

Nas discussões com o Kantar, a Abert foi contrária a esse modelo por apresentar dados irreais e incomparáveis.

Apresentar essa comparação prejudicaria ainda mais o mercado publicitário das TVs, acelerando um processo que interessa para as big techs.

As grandes plataformas não escondem que querem engolir a TV aberta, concentrando a transmissão da grade.

Alguns programas do SBT, por exemplo, já são veiculados no streaming. No entanto, no Brasil, o peso da TV aberta ainda é muito grande.

Mesmo assim, as emissoras não desgrudam os olhos dos dados de share, termo em inglês para mostrar o peso ou a fatia da audiência que se desloca da TV aberta no horário nobre para plataformas como Netflix e YouTube. Para elas, isso é o que importa.

Para a Abert e a Abratel, associações que representam as principais emissoras, a adoção de qualquer modelo de integração de métricas de audiência da TV e das plataformas digitais de consumo de mídia audiovisual é “indesejável e pode provocar graves prejuízos ao mercado publicitário e à livre concorrência”.

Em comunicado conjunto recente, ambas disseram que essas iniciativas unilaterais criariam no mercado falsas percepções sobre a audiência.

com Diego Felix

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Folha de São Paulo

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