Revelação sobre Alcolumbre amplia pressão sobre ‘delação do fim do mundo’

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A investigação sobre o escândalo do Banco Master entrou em uma nova fase de turbulência após revelações apresentadas por Daniel Vorcaro em sua segunda tentativa de acordo de colaboração premiada. Embora a Polícia Federal tenha comunicado ao Supremo Tribunal Federal que não pretende mais negociar um acordo com o ex-banqueiro, informações obtidas por VEJA mostram que o material apresentado pela defesa inclui acusações de alto impacto contra integrantes da política e do Judiciário (este texto é um resumo do vídeo acima).
No centro das novas revelações está a informação de que Vorcaro teria relatado o pagamento de 30 milhões de dólares ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, por meio de uma conta no exterior. O material também menciona negócios ligados ao PT da Bahia e supostas ações de magistrados em favor dos interesses do banco.
Durante o programa Os Três Poderes, o colunista Robson Bonin, que assina a reportagem especial publicada na edição da semana da revista, classificou o caso como parte de “o maior escândalo de corrupção de que se tem notícia até o momento no país”, citando investigações que envolvem mais de 50 bilhões de reais em prejuízos.
Por que a Polícia Federal rejeitou o acordo?
Segundo Bonin, investigadores avaliam que Vorcaro continua omitindo informações ou apresentando versões incompletas dos fatos. A PF sustenta que grande parte do conteúdo relatado pelo ex-banqueiro já está registrada nos oito celulares apreendidos durante a investigação.
A defesa, por sua vez, argumenta que entregou um material robusto, com mais de 600 páginas e fatos inéditos envolvendo autoridades de primeiro escalão. Entre eles estaria justamente a acusação contra Alcolumbre e referências a operações ligadas a programa implantado na Bahia durante governos petistas.
Apesar da resistência da PF, Bonin afirmou que a PGR continua analisando a negociação. “Se o delator quer entregar o presidente do Congresso, por exemplo, como ignorar?”, questionou o jornalista durante o debate.
Como a revelação atinge Davi Alcolumbre?
A menção ao presidente do Senado é considerada uma das partes mais explosivas do material apresentado pela defesa de Vorcaro. Para o editor de Política José Benedito da Silva, a simples existência da acusação já produz efeitos políticos relevantes. “Essa revelação dos 30 milhões de dólares terá um custo político muito alto e virou um rastilho de pólvora”, afirmou.
Segundo ele, a situação se torna ainda mais delicada diante das relações entre integrantes do grupo político de Alcolumbre e o fundo de previdência do Amapá, que realizou investimentos milionários em papéis do Banco Master.
O PT da Bahia também entrou na investigação?
Outro capítulo destacado na reportagem envolve o chamado CredCesta, programa de empréstimos consignados para servidores estaduais.
De acordo com Bonin, Vorcaro citou figuras importantes do PT baiano em um dos anexos apresentados aos investigadores. Entre os nomes mencionados está o ministro da Casa Civil, Rui Costa, além de referências ao período em que o estado foi governado por Jaques Wagner.
O colunista afirmou que esse é um dos núcleos da investigação considerados mais avançados e que pode gerar novos desdobramentos nos próximos dias.
Qual é o papel do Supremo nesse caso?
A decisão sobre o futuro da colaboração de Vorcaro está nas mãos do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo. Participantes do programa destacaram que Mendonça tem adotado uma postura de independência na condução da investigação e evitado interferências sobre os alvos examinados pela PF.
Segundo Bonin, o ministro tem defendido que as apurações avancem de acordo com a maturidade das provas já reunidas, sem excluir previamente qualquer linha investigativa. José Benedito avaliou que a condução do processo por Mendonça confere maior credibilidade ao caso. “O fato de ter caído com o André Mendonça deu muita seriedade ao processo”, afirmou.
Por que a investigação preocupa tanta gente em Brasília?
Para a editora de Política Laryssa Borges, o alcance da investigação ajuda a explicar o desconforto provocado pelo caso. Segundo ela, os celulares apreendidos mostram que Vorcaro cultivava relações com agentes de diferentes correntes políticas e mantinha interlocução com integrantes de diversos setores do poder público. “O acervo dos celulares mostrou que ele gostava de fazer afagos a autoridades de todos os vieses partidários”, afirmou.
Bonin relatou ainda que, após a publicação da reportagem, novas pessoas procuraram investigadores manifestando interesse em colaborar com as apurações.
A delação ainda pode avançar?
Apesar da posição da PF, o destino final da colaboração permanece indefinido. A PGR continua avaliando o material apresentado pela defesa, enquanto o Supremo acompanha o impasse entre investigadores e delator.
Nos bastidores, a principal dúvida passou a ser outra: por que uma colaboração que envolve acusações contra figuras centrais da política nacional enfrenta tanta resistência para avançar?
Foi essa pergunta que passou a circular entre investigadores, advogados e integrantes do Supremo após as revelações apresentadas por VEJA.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Os Três Poderes (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
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