Esporte

‘Round 38’, a volta da carnificina

Vai começar de novo. A série mais matadora do futebol televisivo nacional está de volta, o Round 38. Comparado à matança de técnicos ao longo de 38 rodadas, o “Round 6” parece brincadeirinha de criança. Afinal, no Round 38 eles podem morrer mais de uma vez.

A temporada 2024 começa com quatro sobreviventes-campeões de 2023: os gringos Abel Ferreira (Palmeiras) e Juan Pablo Vojvoda (Fortaleza) e os brasilianos Fernando Diniz (Fluminense) e Renato Gaúcho (Grêmio).

Antes de falar dos professores, é bom dar os singelos votos de parabéns aos campeões estaduais. Dos dez canecos possíveis para os clubes da Série A, só o Cearense foi perdido para a B, graças ao triunfo do Ceará diante do Fortaleza.

Isso significa que os nove campeões largam na frente no Brasileiro? Nada disso. Não significa nem que o Vitória vai se dar melhor que o Bahia. A rigor, não significa nadica.

O único favorito ao título nacional é o Flamengo, que também larga como principal candidato ao troféu de 2025, de 2026, da Libertadores e da Sul-Americana ao mesmo tempo e da Copa América, se disputasse. É o poder do dinheiro do único clube bilionário do país, aliado à competência de Tite —a princípio imune à incompetência da diretoria rubro-negra.

O Flamengo é a única equipe cujos reservas seriam titulares em praticamente todos os outros times, o que significa muito. Lil Gabi, atualmente suspenso, seria titular e cantor nos 19 rivais.

Voltando à carnificina do Round 38, o torneio começa com 19 treinadores. Isso porque o Cuiabá deve largar com o chamado interino, o que também não é novidade por essas bandas. Os professores estão divididos em dez brasilianos, cinco argentinos e quatro patrícios portugueses, incluindo Artur Jorge, novo mister do Botafogo.

Não confundir este Artur Jorge com Artur Jorge, técnico português que nasceu no Porto, foi campeão da Copa dos Campeões nos anos 80 (com o Porto) e morreu em fevereiro deste ano. O jovem Artur Jorge nasceu em Braga, treinou o Braga e foi campeão da Taça da Liga. Este Artur Jorge, aliás, é pai do zagueiro Artur Jorge, mas isso pode começar a ficar bem confuso.

E falando em Putfire, é possível que John Textor tenha algum documento que prove de forma irrefutável que o Botafogo já teria uns quatro pontos a mais que os 19 coleguinhas no Brasileiro-2024.

O campeonato começará tenso para alguns clubes. Este escriba pensava que Thiago Carpini, do São Paulo, teria salvo-conduto até o meio do ano, após título contra o Palmeiras na Supercopa e quebra de tabu contra o Corinthians. Ledo engano. Professor Carpini começa um tantinho pressionado.

Ano passado, três professores foram degolados no Round 1, incluindo o do São Paulo (Rogério Ceni, ressuscitado com louvor pelo Bahia).

Também em 2023, o Corinthians degolou um técnico após a estreia; e o Coritiba exterminou António Oliveira… que hoje está no Corinthians. Logo, alguma inteligência artificial (e John Textor) diria que a união de Corinthians e António tem tudo para ser breve. Mas não há motivo para ser pessimista com um time tão bonito, principalmente antes da publicação do álbum da Panini.

O melhor meme dos campeões do fim de semana surgiu após a conquista do Vitória no Campeonato Baiano: Bahia da era City, zero títulos; Vitória da era Fatal Model, dois títulos.

Este escriba continua meio chateado pelo fato de Paulo Andrade largar a Premier League justamente no ano em que o Arsenal voltará a ser campeão (uhu, sonhar é de graça). Mas a tristeza será atenuada pela estreia do narrador, um dos melhores da atualidade de acordo com este guichê, no grupo Globo, no Campeonato Brasileiro, em São Paulo x Fortaleza.

Apenas uma sugestão: Paulo precisará ser mais criterioso ao usar o bordão “dá nele, bola”, dito quando um jogador dá uma pixotada em campo. Caso contrário, o índice “dá nele” será maior que o número de impedimentos por jogo.


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Folha de São Paulo

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