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Samsung vê lucro 10 vez maior com alta de preços e demanda por chips

A Samsung espera registrar um salto de 10 vezes no lucro operacional do primeiro trimestre, à medida que os preços dos chips de memória apresentam uma forte recuperação após a pior crise da indústria em décadas no ano passado.

A maior fabricante de chips de memória do mundo em termos de vendas estimou nesta sexta-feira (5) que o lucro operacional aumentou 931% para 6,6 trilhões de won (US$ 4,9 bilhões), em números preliminares dos primeiros três meses deste ano.

Isso foi melhor do que as expectativas dos analistas de 5,7 trilhões de won, de acordo com a LSEG SmartEstimates. As vendas aumentaram 11,4% para 71 trilhões de won em relação ao ano anterior.

As estimativas otimistas marcam os maiores ganhos da Samsung desde o terceiro trimestre de 2022, já que sua divisão de chips provavelmente registrará seu primeiro lucro em cinco trimestres.

As ações da Samsung estavam sendo negociadas em queda de 0,7% na manhã de sexta-feira, após subirem cerca de 30% no último ano. Os resultados detalhados serão anunciados no final do mês.

Os cortes de produção pelos principais fabricantes e a forte demanda por chips de alto desempenho em meio a um boom de inteligência artificial impulsionaram os preços dos modelos de memória.

Os preços dos chips de memória DRAM subiram cerca de 20% no primeiro trimestre, enquanto os chips de memória flash, usados para armazenamento de dados, ganharam de 23% a 28%, de acordo com o provedor de dados TrendForce.

Os analistas preveem que a divisão de chips da Samsung registrará um lucro operacional de cerca de 900 bilhões de wons no primeiro trimestre, em comparação com um prejuízo operacional de 2,2 trilhões de wons no trimestre de dezembro.

“Estamos vendo uma recuperação mais forte do que o esperado no mercado de memória, com um aumento maior do que o esperado nos preços”, disse Roko Kim, analista da Hana Financial Investment. “Será um ano de ganhos máximos com o aumento dos preços dos chips Nand.”

A recuperação do mercado de chips de memória de US$ 160 bilhões foi destacada pela forte previsão de vendas da Micron no mês passado, com a fabricante de chips dos EUA prevendo vendas recordes em 2025.

As ações da Samsung também foram impulsionadas pela redução da preocupação com sua competitividade em memória de alta largura de banda (HBM), depois que o chefe da Nvidia, Jensen Huang, disse no mês passado que sua empresa estava no processo de qualificação dos novos chips HBM da Samsung para suas unidades de processamento gráfico.

A Samsung está se esforçando para alcançar os concorrentes nos chips usados em IA, mais lucrativos, já que ficou atrás do rival doméstico SK Hynix na produção em massa dos modelos HBM, mais avançados.

Kyung Kye-hyun, o CEO da empresa responsável pelo negócio de chips, disse no mês passado que a Samsung estava perto de reivindicar a liderança em chips HBM.

Ele também disse em uma reunião de acionistas que a empresa esperava mais de US$ 100 milhões em receita de seu negócio de embalagem de chips avançados este ano.

“A Samsung está progredindo no negócio de HBM, que tem sido visto como seu calcanhar de Aquiles”, disse Lee Seung-woo, analista da Eugene Investment & Securities.

Lee acrescentou que o negócio de fundição de chips deficitário da Samsung ainda estava pesando nos ganhos da empresa, mas ele esperava que a divisão de fabricação por contrato se tornasse lucrativa no segundo semestre deste ano.

A Samsung, que está construindo uma fundição no Texas, deve receber pelo menos US$ 5 bilhões em subsídios dos EUA, enquanto o rival doméstico SK Hynix está investindo cerca de US$ 4 bilhões em uma planta avançada de embalagem de chips de IA em Indiana.

Os fortes ganhos da Samsung também foram impulsionados por vendas robustas de seus smartphones mais recentes impulsionados por IA. A empresa lançou em janeiro seus telefones Android Galaxy S24 capazes de executar recursos de inteligência artificial generativa “no dispositivo”, ajudando a Samsung a recuperar a primeira posição em vendas globais de smartphones em fevereiro.

Folha de São Paulo

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