Política

Se fosse pelo dinheiro, agro em SC deveria não só votar, mas se ajoelhar para mim, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (19) que o agronegócio foi muito ajudado por seu governo e deveria se ajoelhar para ele, e não só votar nele.

A afirmação foi feita na manhã deste sábado (19) em comício na praça Tancredo Neves, em Florianópolis, num ato marcado também por pedidos de busca de votos de eleitores indecisos e de vitória no primeiro turno.

Lula criticou o agronegócio ao lado do candidato a governador Gelson Merísio (PSB), apoiado por ele. O presidente disse que Merísio foi colocado na disputa em Santa Catarina para desmascarar Jorginho Mello (PL), governador que disputa a reeleição, e para discutir com o agronegócio.

“Eu coloquei ele [Gelson Merísio] candidato a governador para desmascarar o seu Jorginho aqui e para discutir com o agronegócio. Acho que você [Merísio] deveria fazer uma reunião com o pessoal do agronegócio aqui, você e eles, sem nenhum papel na mão, e você perguntar para eles porque eles não gostam de nós. Por que eles não votam em nós? Porque o problema contra nós acho que é uma questão de pele. É porque eu sou nordestino? Ou porque eu sou pobre? Porque, se dependesse de dinheiro do governo, eles deveriam não só votar, mas se ajoelhar pra mim.”

Em seguida, Lula afirmou que nunca houve tantos recursos disponíveis para o setor, que é importante para a economia catarinense.

“Nunca houve tanto dinheiro para a agricultura como agora, nunca houve […] Os três maiores investimentos de crédito [para o setor], foram no meu mandato, para o grande negócio e o pequeno negócio”, disse o presidente.

O governo Lula lançou em 30 de junho o Plano Safra 2026/27, com R$ 620 bilhões, no total, dos quais R$ 525,1 bilhões em financiamento para a chamada agricultura empresarial e R$ 97,3 bilhões para a agricultura familiar. No ciclo anterior, 2025/26, foram destinados R$ 516 bilhões à agricultura empresarial.

Lula ainda listou a abertura de mercados para a agricultura, citando 34 mercados para aves e derivados, além de outros 25 mercados internacionais para carne suína em seu governo.

“Aqui em Santa Catarina tem uma agricultura muito especial, aqui tem muitas cooperativas, aqui há uma integração entre a empresa e o produtor rural. Aqui 30% do mercado brasileiro é mercado de criadores suínos, tem muita importância para o Brasil.”

O plano de governo do petista mudou a abordagem sobre o agronegócio em relação ao programa de 2022, quando ele mirava voltar ao poder após o governo de Jair Bolsonaro (PL).

Na última disputa, o texto atrelava o agronegócio a ideias relacionadas à reforma agrária. Desta vez, porém, discorre sobre a importância do setor para a economia, ponto pouco explorado na proposta anterior.

A mudança no tom ocorre após o Brasil ter sido alvo de um tarifaço aplicado por Donald Trump, cobrança que hoje parte de uma base de 25%. A tarifa dos EUA chegou a ser de 50% no ano passado, e, após articulação do governo com o apoio determinante do agronegócio, foram abertas exceções a carne, café e suco de laranja.

Foi a primeira visita de campanha de Lula ao estado, quase três meses após a ida a Itajaí para a cerimônia de lançamento e batismo da fragata Cunha Moreira, a terceira das quatro embarcações do programa Classe Tamandaré.

Na ocasião, o presidente anunciou que incluiria a defesa nacional em seu programa de governo, citando ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à Groenlândia e ao Canal do Panamá e a retomada da fabricação de armas nucleares por outros países.

A tônica dos discursos que antecederam a fala do presidente foram sobre vencer a eleição já em primeiro turno e de buscar o voto dos indecisos.

“Estamos na fase final da nossa campanha, porque, se depender da nossa militância, vamos resolver essas eleições no primeiro turno”, afirmou o presidente do PT, Edinho Silva, que coordena a campanha de Lula.

Em seu discurso, a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, pediu que os eleitores de Lula resistam, por morarem num estado governado pela extrema direita, e disse que o diálogo será muito importante nas próximas duas semanas –que antecedem o primeiro turno.

“Temos duas semanas até o primeiro turno. Tem muita gente que está indecisa, que não sabe se vai votar, principalmente os idosos. Faço uma convocação geral para entrarmos em campo com o diálogo. Precisamos entrar em campo para construir um futuro com dignidade. Tenham conversas didáticas, sem chegar brigando.”

Antes, ela afirmou que os bolsonaristas “não vão nos intimidar”. “Sei que muitos de vocês já ouviram absurdos de pessoas amadas que foram cooptadas pelo bolsonarismo, mas vocês resistem.”

No fim de seu discurso, Lula também pediu que os eleitores com mais de 70 anos compareçam às urnas.

Folha de São Paulo

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