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Sem gringos, time revivido e 1º campeão caipira tentam surpreender no Paulista

Em um mundo cada dia mais globalizado, tornou-se natural ver constantemente nas equipes brasileiras, não apenas nas mais famosas, jogadores estrangeiros desfilando pelos gramados seu futebol –às vezes bom, outras vezes não tão bom.

Eles chegaram faz anos para ficar, mesmo que a maioria por período não prolongado (contratos curtos), e também para ganhar títulos.

São taças internacionais (casos do argentino Germán Cano e do colombiano Jhon Arias no Fluminense), nacionais (o paraguaio Gustavo Gómez, capitão do Palmeiras, é um ótimo exemplo), para citar conquistas recentes, e também estaduais.

Os campeonatos estaduais, por sinal, que abrem o ano do futebol no Brasil, estão em vias de entrar em suas fases decisivas.

O principal deles no país, o Paulista, dá o pontapé inicial em seus mata-matas, os de quartas de final, neste sábado (16), com o Palmeiras (atual bicampeão) recebendo a Ponte Preta.

No domingo haverá Bragantino x Internacional de Limeira, São Paulo x Novorizontino e Santos x Portuguesa.

Sendo este um blog de futebol internacional, cabe um olhar mais aprofundado sobre os forasteiros dos times, jogadores e/ou treinadores, avaliando o momento atual e o contexto histórico.

Nos últimos dez anos, em nove –justamente os mais recentes– o campeão paulista contou com pelo menos um atleta nascido fora do Brasil participando da partida decisiva.

Em 2015, que deu início a essa sequência de estrangeiros no clube campeão, o colombiano Edwin Valencia atuava como volante do Santos que superou o Palmeiras na decisão.

Em 2023, o Palmeiras que derrotou o Água Santa, de Diadema (Grande São Paulo), utilizou na partida final o zagueiro Gómez e o atacante argentino Flaco López. O time do ABC Paulista, caso triunfasse, seria o primeiro desde 2014 a erguer a taça com um plantel 100% brasileiro.

Dez anos atrás, o Ituano, dirigido pelo técnico Doriva, com somente futebolistas brasucas faturou na disputa de pênaltis, diante do Santos, seu segundo Paulista –o primeiro foi em 2002. A favorita equipe litorânea contava com o lateral chileno Mena.

Agora, cabe a outros dois clubes do interior do estado a tarefa de surpreender e fazer a competição coroar um campeão que tenha em suas fileiras exclusivamente jogadores nascidos no Brasil.

Estão nessa situação a Inter de Limeira, que avançou às quartas deixando o Corinthians fora, e o Novorizontino, de Novo Horizonte.

A Inter é lembrada pelo feito obtido em 1986. Aquele time, com o ponteiro Tato e o centroavante Kita, sob o comando do ex-ponta Pepe (companheiro de Pelé nos tempos áureos do Santos), derrotou o Palmeiras em pleno Morumbi para dar ao interior paulista seu primeiro estadual.

Para passar às semifinais, precisará suplantar fora de casa o Bragantino, sexto colocado no Brasileiro de 2023 e que possui sete estrangeiros no elenco, entre eles o atacante Tiago Borbas, 21, que no ano passado defendeu a seleção uruguaia, além do treinador português Pedro Caixinha.

“A Internacional é um clube tradicional e inclusivo que valoriza acima de tudo a diversidade e o talento, independentemente da nacionalidade dos jogadores”, declarou ao blog Danilo Maluf, presidente da equipe limeirense, fundada em 1913.

“Nossa decisão ao formar o atual elenco foi baseada unicamente em critérios que caibam dentro da realidade do clube, visando sempre fortalecer a equipe e buscar os melhores resultados dentro de campo”, acrescentou, dando a entender que a questão orçamentária limitou possíveis contratações de gringos para o Paulista.

Ele prosseguiu: “O Leão [apelido da Inter] conta com um Departamento de Análise e Mercado que trabalha observando campeonatos de diversas regiões e países. É importante ressaltar que já tivemos jogadores estrangeiros em nosso elenco no passado e estamos abertos a novas oportunidades no futuro”.

Em relação ao Novorizontino, quem já tem certa idade e acompanhou o futebol com atenção se recordará de que o time ficou com o vice-campeonato paulista em 1990, caindo ante o Bragantino na primeira decisão caipira do estadual.

Alguns anos depois, a equipe passou a sofrer com má administração e problemas financeiros, indo à falência em 1999. “Reencarnou” mais de uma década depois, em 2010, com o nome de Grêmio Novorizontino –antes era Grêmio Esportivo Novorizontino.

Assim, apesar de as cores (amarelo e preto) serem as mesmas, o estádio (Jorge Ismael de Biasi) ser o mesmo e a cidade ser a mesma, o clube não é exatamente o mesmo, já que refundado. Hoje, inclusive, é um clube-empresa, operando como SAF (Sociedade Anônima do Futebol).

“A nossa definição de planejamento para a temporada foi muito baseada em cima do torneio [Paulista], que é uma competição curta, e a nossa preocupação sempre foi a de adaptação [dos jogadores]” disse ao blog Michel Alves, executivo de futebol do Novorizontino, esclarecendo a opção por formar o elenco com atletas que já estivessem em atividade no Brasil.

Alves ressaltou que os custos, tanto de contratação como de salário, não foram determinantes para a equipe, temporariamente, não ter jogadores estrangeiros.

Segundo ele, na formação do grupo não se encontrou nenhum forasteiro disponível que fosse do interesse do clube e que tivesse disputado campeonatos em 2023 (especialmente o Paulista), estando assim já adaptado à cultura brasileira.

“Afora isso, não temos nenhum tipo de problema [com gringos]. No ano passado, nós tivemos um chileno [Bryan Rabello] e um japonês [Daiki Matusoka]”, concluiu Alves.

O adversário do Novorizontino no mata-mata, o São Paulo, tem entre seus estrangeiros –são nove, o maior número entre as equipes das quartas de final– dois atletas de seleção, o zagueiro equatoriano Arboleda e o meia colombiano James Rodríguez.

Os demais participantes desta fase do Paulista contam com número variado de atletas gringos: cinco (Palmeiras, que tem também o treinador português Abel Ferreira, e Santos), três (Ponte Preta) e um (Portuguesa).

Folha de São Paulo

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