Política

sem neutralidade, Brasil não consegue ser líder


Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A incapacidade do Brasil em assumir uma posição de neutralidade em conflitos regionais, como na disputa entre a Venezuela e a Guiana, impede que o país exerça uma liderança na América do Sul

O cientista político Gunther Rudzit, professor de relações internacionais da ESPM, disse em entrevista ao podcast Latitude:

“Desde os anos 90, eu ouvia os militares me contando que os equivalentes deles em outros países perguntavam quando é que o Brasil assumiria a liderança da região. Nós teríamos tudo para fazer isso. Mas, para isso teríamos de buscar uma postura de não ideologização da nossa política externa. Eu concordo muito com o princípio que Sir Winston Churchill defendia. Países não têm amigos. Países têm interesses.”

Na entrevista, Rudzit critica a preferência do governo Lula ao ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e afirma que essa relação de proximidade  “cria problemas com a Colômbia e, agora, com a Guiana”

“Se tivéssemos mantido a nossa tradição de neutralidade, buscando exercer essa liderança como no governo de Fernando Henrique Cardoso. No comecinho do governo Lula parece que estava indo nessa direção… Mas aí descambou e aí fica difícil a gente conseguir uma liderança no momento em que a América do Sul está muito fragmentada, com países com sérios problemas internos.”

Para o cientista político, caso o Brasil estivesse de fato com uma posição neutra, as negociações entre Maduro e o presidente da Guiana, Irfaan Ali, estariam ocorrendo em território brasileiro

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Matéria: O Antagonista

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