Sem Neymar, Copa tem fase ‘Stranger Things’

Nada como o espetáculo do crescimento proporcionado por um evento em solo americano (e mexicano, e canadense). Com 48 seleções e 104 jogos, aos poucos começamos a perceber que a Chapecoense tem time para se classificar à segunda fase.
A Copa 2026 já começou pulverizando uma instituição sagrada de outros Mundiais, o Grupo da Morte. Não teremos nem morto-vivo, é vida para todo lado.
Ah, mas contra Marrocos (e sem Neymar) a estreia do Brasil é um jogo perigoso. Não tem problema. Se o Brasil empatar, se classifica; se o Brasil perder, se classifica; se o Brasil perder a hora jogando videogame, se classifica. Com Haiti na chave, até a Escócia deve se classificar. Haiti é vida… para os outros.
Provavelmente também vamos dever ao Haiti uma grande performance de Neymar, o Júnior, na Copa —que será amplamente festejada pelos jornaleiros especialistas no jovem. Neymar pode ter contra os haitianos uma performance tão espetacular quanto teve contra Vasco e Remo no Brasileiro deste ano, calando os críticos.
Poderíamos batizar a primeira fase do Mundial de “Strangers Things”, não porque coisas estranhas aconteçam, ou porque ela esteja com cara de anos 1980, ou porque dependamos de alguém como Eleven, mas, sim, porque nenhum protagonista morre —a esta altura, isso não é mais spoiler. Sim, às vezes um monstrinho pode colocar o ator principal para dormir, mas não passa disso. Antes do episódio final, ele acorda e se vinga.
Após 72 jogos, sobrarão 32 times, número total até a edição do Qatar. Ou seja, a primeira fase serve só para definir o pareamento e tirar da frente os Haiti, Qatar e Curaçao da vida… com todo o respeito Depois de 72 jogos, vão sobrar 32 seleções, número que era o total de equipes até a competição do Qatar. Ou seja, a primeira fase serve apenas para definir o pareamento e tirar da frente os Haiti, Qatar e Curaçao da vida… com todo o respeito.
Já a cerimônia de abertura ficou parecendo série da Netflix: dividida em episódios curtos e temáticos, tudo com jeitão de show do intervalo, para não dar tempo de ir ao banheiro ou trocar de canal. Teve a festa latina na Cidade do México, com Maná, Shakira (que já tem mais participações em Copas que Piqué) e a atriz Salma Hayek chegando junto com Gianni Infantino para conduzir a taça —e impedindo que ele levasse uma grande vaia.
Depois aconteceu a correta cerimônia canadense, com todo mundo esperando um showzaço de Alanis Morissette cantando “Head Over Feet” (um bom título para abertura de Copa) ou “You Learn” (dedicada aos árbitros). Porém reservaram para a querida roqueira apenas o comportado hino “O Canada” (“ironic”).
Esta coluna foi escrita antes da terceira e última cerimônia de abertura, em Los Angeles, com a presença confirmada de Katy Perry e Anitta; e sem o belicoso vencedor do Prêmio da Paz da Fifa, Donald Trump —e também sem Neymar. Sem Neymar é um tema importante nesta Copa.
Perceba que muitos craques atuais pediram a presença de Neymar na convocação. Messi pediu, Yamal pediu, Mbappé pediu… Mas nenhum deles quer que o Brasil ganhe o Mundial.
Mas, sim, teremos uma grande briga na primeira fase: a da artilharia do Mundial. Imagine o impiedoso norueguês Haaland, em sua primeira Copa, babando na estreia contra o Iraque; ou a força do ataque alemão contra a pobre seleção de Curaçao? Chances para deixar o 7 a 1 no chinelo.
Por enquanto, tudo o que a Copa quer é ter o sucesso de uma “Waka Waka”, mas não passa de “Dai Dai”. Mas é só o começo.
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Esporte / Folha de São Paulo



