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Sete a cada dez pessoas estão otimistas com IA, aponta pesquisa em 37 países – 23/09/2026 – IA


The New York Times


Pode ser uma surpresa para os líderes mundiais que discutem inteligência artificial na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York, nesta semana, mas uma ampla maioria das pessoas ouvidas em todo o mundo em uma nova pesquisa Gallup afirmou ter sentimentos predominantemente positivos em relação à IA.

O instituto entrevistou pelo menos 1.000 pessoas em 37 países e constatou que, em 34 deles, as emoções positivas em relação à IA superavam as negativas. Em média, 72% dos entrevistados disseram sentir curiosidade, felicidade ou entusiasmo em relação ao recurso tecnológico, enquanto 41% afirmaram sentir preocupação, tristeza ou raiva.

O levantamento foi um dos retratos mais abrangentes já feitos sobre as diferentes reações emocionais à nova tecnologia, e a distância entre a esperança e o medo foi grande.

Dois homens trabalham em estação com múltiplos monitores exibindo mapas, gráficos e dados em ambiente de escritório moderno.

Funcionários monitoram operação em central de data centers em Singapura


Roslan Rahman – 19.set.26/AFP

Na China e no Vietnã, mais de 90% dos entrevistados disseram acreditar que a IA, de modo geral, melhoraria a vida cotidiana. Na Nigéria, em Israel e em Singapura, mais de dois terços dos participantes concordaram.

Nos Estados Unidos, porém, apenas 36% consideraram a IA mais benéfica do que prejudicial. Os sete países ocidentais de alta renda pesquisados pela Gallup —Estados Unidos, Reino Unido, Irlanda, Canadá, Nova Zelândia, Malta e Holanda— dominaram o ranking dos mais preocupados, com os norte-americanos no topo.

A Gallup planeja, no futuro, incluir pesquisas sobre IA em 140 países, mas este retrato inicial —realizado em parceria com a Microsoft e com margem de erro entre 2,2 e 4,9 pontos percentuai — pareceu revelar uma divisão clara.

“A constatação mais consistente que vem surgindo é que esse conjunto de atitudes observado nos países ocidentais é bastante singular”, analisou Pablo Diego-Rosell, cientista sênior da Gallup. Segundo ele, o “Ocidente preocupado” tende a apresentar alta adoção, grande apreensão e a percepção de que, embora a IA possa ser boa para o indivíduo, é menos provável que seja positiva para o país.

Nas 37 nações pesquisadas, a mediana dos que nunca experimentaram IA ainda é relativamente alta: 57%. Nos Estados Unidos, é de 32%. Mas o uso intenso não é um indicador de desânimo.

Alguns países onde os entrevistados disseram ter sentimentos positivos em relação à IA também registravam rápida adoção. Singapura, China e Israel têm, todos, uma proporção de usuários diários superior à dos Estados Unidos. Outros apresentam índices de uso menores: no Vietnã, apenas 12% dos entrevistados usam IA diariamente, ante 23% nos Estados Unidos.

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Husan Chahal, pesquisadora de riscos da IA no National Bureau of Asian Research, afirmou que muitos governos, sobretudo na Ásia, frequentemente apresentam a tecnologia, antes de mais nada, como uma ferramenta para o desenvolvimento econômico e estão empenhados em ampliar sua adoção.

“Isso não significa necessariamente que não estejam preocupados com riscos catastróficos”, declarou. “Mas esses riscos talvez não sejam tão proeminentes em suas prioridades políticas.”

Em quase todos os países pesquisados pela Gallup, os usuários mais assíduos de IA disseram ser os menos apreensivos em relação à tecnologia. Por exemplo, 68% dos usuários diários de IA nos Estados Unidos estavam preocupados com a tecnologia, em comparação com 80% dos usuários menos frequentes e 74% dos que nunca haviam usado IA.

Edward Lim, diretor da NUS Enterprise e da BLOCK71 no Vietnã —uma aceleradora de startups ligada à Universidade Nacional de Singapura—, afirmou que as opiniões sobre a IA estavam evoluindo rapidamente e em diferentes direções.

Ele sugeriu que as preocupações estavam aumentando em Singapura à medida que continuavam a se espalhar notícias sobre agentes de IA que saíam do controle. No Vietnã, porém, onde o talento humano continua competitivo em termos de custo em relação aos agentes de IA, predomina o entusiasmo.

“O que me chama a atenção é o quanto as pessoas no Vietnã estão abertas a experimentar coisas novas”, disse ele, acrescentando: “A pesquisa reflete o que vejo na prática”.

Folha de São Paulo

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