Política

Show dos horrores no STF sinaliza que nada será apurado na relação com Vorcaro; veja vídeo

Quem esperava que a sessão do Supremo Tribunal Federal fosse um show de horrores não se decepcionou.

Na verdade, foi bem pior do que isso, um psicodrama do qual a corte não vai se recuperar tão cedo.

A coisa já ficou tensa antes mesmo do início, com novos vazamentos de mensagens comprometedoras do celular de Daniel Vorcaro, envolvendo os ministros Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça.

Se houve um ponto positivo, foi o de mostrar às claras para todo o país como o tribunal se movimenta a portas fechadas, com ironias, intrigas, agressões, puxadas de tapete e corporativismo.

Numa primeira análise, o grupo dos defensores de Alexandre de Moraes conseguiu o que queria: impedir a abertura de uma investigação sobre as relações dele com Vorcaro.

Para isso ele teve o apoio de uma dupla que fez uma jogada ensaiada: Gilmar Mendes subiu o tom contra André Mendonça, ouviu uma resposta no mesmo tom e levou Flávio Dino a interromper a sessão com o pretexto de preservar a imagem do tribunal.

No longo prazo, no entanto, essa pode ser uma vitória frágil. As manobras para preservar Alexandre certamente terão impacto negativo na opinião pública e contribuirão para afundar ainda mais a credibilidade do Supremo.

E talvez ainda beneficiem Flavio Bolsonaro, que é inimigo declarado da turma de Alexandre.

Foi uma sessão repleta de ironias e frases fortes. Até o normalmente sereno presidente Edson Fachin se exaltou, numa troca de farpas logo no começo com Flavio Dino. Mais tarde, ainda teve de ouvir que sua condução da sessão era desastrosa.

Gilmar fugiu do que se espera de um decano e botou mais lenha na fogueira, bem a seu estilo, com frases fortes.

Chamou o relatório de André Mendonça de pixuleko eleitoral e disse que ele era aprendiz de feiticeiro. Falou que até a máfia tinha uma certa ética.

O pedido de vista de Dino joga a discussão para um futuro incerto e coloca em dúvida também os próximos passos da investigação sobre as relações do STF com Vorcaro. Uma grande operação abafa parecer ser o cenário mais provável.

Em outras palavras, horas de carnificina verbal produziram muito pouco resultado prático. Como disse a ministra Cármen Lúcia em sua única intervenção, já no final da sessão, o povo brasileiro merece um pedido de desculpas.


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Folha de São Paulo

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