Saúde

Sociedade Brasileira de Pediatria lança cartilha que ajuda a identificar atraso do neurodesenvolvimento

Das primeiras risadas aos “mamas”, “dadas” e “auaus”, que até nos soa desconexo, mas podem sinalizar um familiar ou um cachorrinho para os menores, a cartilha lançada pela SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) resume quais são os marcos comuns a serem identificados no desenvolvimento de crianças com idades entre 2 meses aos 5 anos.

Traduzido a partir de parceria com o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doença), órgão norte-americano que formulou a cartilha inicial, o documento de 28 páginas busca guiar pais e pediatras na identificação precoce e tratamento de eventuais sinais de atraso do neurodesenvolvimento.

“É tudo bem didático para, no caso de algum tipo de atraso, possibilitar uma intervenção precoce”, explica Liubiana Arantes de Araújo, neuropediatra e presidente do departamento científico de desenvolvimento da SBP.

Com o slogan “aja cedo”, o material faz parte de uma campanha que pretende conscientizar pais e pediatras na identificação dos primeiros sinais de que algo não vai bem para uma intervenção médica a tempo. “Se eu não avalio agora, eu perco o período de neuroplasticidade do cérebro, o ideal para a criança responder adequadamente”, complementa.

A cartilha, traduzida também com o auxílio da Sociedade Paraibana de Pediatria, mostra quais são os sinais comuns em cada etapa do desenvolvimento infantil e o que esperar em cada fase, incluindo alertas para cada faixa etária. Se a criança não apresentar ou não responder ao estímulo de ao menos um dos marcos apresentados para a idade correspondente, já é um indicador para apresentar ao médico pediatra responsável, de acordo com a neuropediatra.

Os marcos típicos de cada idade, no entanto, não são exclusivos do Brasil. Isso explica a tradução do material, segundo Araújo. “A idade com que a criança tem que andar é baseada em estudos científicos internacionais feito com um grande número de crianças. Então utilizamos o mesmo padrão de outros países porque esperamos o máximo de potencial de desenvolvimento infantil”, informa.

Além da listagem com marcos emocionais, de linguagem, cognitivos e físicos básicos que toda criança deve fazer até os cinco anos, o material também apresenta dicas de como estimular os mais jovens. Um consenso dos especialistas que elaboraram o documento em todas as idades é o limite à exposição a tablets, smartphones e demais dispositivos eletrônicos.

As divisões etárias são definidas de acordo com escalas de progresso. Até os 18 meses de idade, a criança tem um desenvolvimento, tanto motor, quanto cognitivo, muito acelerado, explica Araújo. “Agora, dos 3 aos 5 anos, não muda muita coisa. A criança já anda, corre, então o nível de habilidades novas vai desacelerando”, informa.

Até os dois anos de idade, a criança costuma ser avaliada mensalmente por um especialista. Isso acontece porque depois dos 30 meses de vida é pouco provável algum tipo de atraso se tudo ocorrer bem nos primeiros meses.

Indicado aos nove, 18, 24 e 30 meses de idade, a triagem é outro procedimento apontado no material. Ele corresponde a uma avaliação psíquica e motora do desenvolvimento da criança. Em 2017, o protocolo foi definido como lei no SUS (Sistema Único de Saúde) para os bebês de 18 meses.

A cartilha estará disponível para download gratuito nesta segunda-feira (26), a partir das 12h, no site da Sociedade Brasileira de Pediatria.

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Informação

Folha de São Paulo

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