Economia

Taxas dos DIs sobem puxadas por Treasuries, petróleo e pesquisas

SÃO PAULO, 28 Set (Reuters) – As ⁠taxas dos DIs fecharam a segunda-feira com altas em toda a ⁠curva a termo, puxadas pelo novo avanço dos rendimentos dos Treasuries e do petróleo ‌no exterior, com o mercado repercutindo ainda duas novas pesquisas eleitorais no Brasil.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,655%, com alta ‌de 2 pontos-base ante o ajuste de 13,632% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,03%, com elevação de 6 pontos-base ante 13,97%.

A segunda-feira foi marcada por nova alta do petróleo no exterior, com o barril do Brent oscilando acima dos US$105 no fim da tarde, em meio ao impasse nas negociações ⁠de ‌paz entre EUA e Irã, após o presidente norte-americano, Donald Trump, rejeitar no fim de semana ⁠um acordo com Teerã.

Os rendimentos dos Treasuries também voltaram a subir, com o título de dez anos –referência global para decisões de investimento — registrando alta de 6 pontos-base no fim da tarde, a 5,24%.

Em reação, a curva de DIs avançou durante todo o dia no Brasil, onde duas novas pesquisas eleitorais também deram suporte às taxas. Pesquisa BTG/Nexus mostrou ​no início do dia aumento da vantagem numérica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) na simulação de segundo turno.

Lula tem 46% das intenções de ​voto no segundo turno, contra 44% de Flávio. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os dois ainda estão em empate técnico. No levantamento anterior, porém, Lula tinha os mesmos 46% e Flávio somava 45%.

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Já pesquisa Quaest divulgada durante a manhã mostrou Lula e Flávio empatados no segundo turno com 42% das intenções de voto. A margem de ‌erro é de dois pontos percentuais. Uma semana antes, Flávio tinha ​42% e Lula somava 41%.

“A proximidade do primeiro turno da eleição também deixa o mercado mais nervoso, ainda que as pesquisas divulgadas hoje tragam pouca novidade em relação às anteriores”, pontuou Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, em ⁠comentário por escrito. “O quadro fiscal segue ​no radar, com investidores ​de olho em como cada candidato pretende lidar com as contas públicas depois do pleito.”

No mercado, Lula ainda é visto com ⁠desconfiança por boa parte dos agentes, que enxergam ​sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias não tão favoráveis a Flávio — como a ampliação da vantagem numérica de Lula no segundo turno da pesquisa ​BTG/Nexus — tendem a trazer um viés de alta para o dólar e para as taxas dos DIs.

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Durante a tarde, o Tesouro Nacional informou que a dívida pública ​federal brasileira teve variação positiva ⁠de 0,04% em agosto ante julho, para R$9,293 trilhões. Do total, 20,31% correspondiam a títulos prefixados, 23,22% a títulos vinculados a ⁠índices de preços, 52,74% a papeis com taxas flutuantes e 3,74% a papeis cambiais.

No boletim Focus divulgado pela manhã, a mediana das projeções dos economistas para a inflação em 2026 passou de 4,92% para 4,99% e em 2027 foi de 4,30% para 4,31%. As expectativas para a taxa básica Selic estão em 13,50% e 12,00% para este e o próximo ano, respectivamente. Atualmente a Selic está em ​13,75%.

Infomoney

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