Tebet defende investigação de auxiliar de Lula e diz que contrato de trens da gestão Tarcísio ‘cheira mal’

Candidata ao Senado por São Paulo, a ex-ministra Simone Tebet (PSB) defendeu nesta quarta-feira (5) a investigação do ex-chefe de gabinete de Lula (PT) Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, após virem à tona informações sobre um empréstimo com empresária investigada pela Polícia Federal.
“O que vale para Chico vale para Francisco. (…) Qualquer suspeita precisa ser investigada”, afirmou Tebet em entrevista à Folha por telefone. “Vai fazer sua defesa, mas o que não pode é ter qualquer tipo de suspeição no entorno do presidente.”
Como mostrou a Folha, Marcola pediu para deixar a campanha do presidente sob pressão de revelações de pagamento de despesas suas pela empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do petista e alvo de inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal) sob suspeita de tráfico de influência.
Tebet afirmou que todo cargo público traz consigo uma responsabilidade e defendeu tanto o afastamento quanto a investigação, com “transparência, ampla defesa e contraditório”. “Sem pré-julgamentos”, disse ela, “mas que se investigue, que ele faça sua defesa. Acredito que tem seus argumentos e que vá fazer os esclarecimentos devidos”.
A ex-ministra comentou os problemas no sistema de trens paulista e defendeu a abertura de procedimento pelo Ministério Público sobre a concessão de linhas da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).
Esta quarta foi o segundo dia de greve de ferroviários das linhas 11-coral, 12-safira e 13-jade da CPTM. Os trabalhadores pedem um compromisso de que o governo vai manter todos os empregos, mesmo com a concessão dos ramais.
No mês passado, houve uma falha no fornecimento de energia e um incêndio em um trem que paralisaram as linhas.
Segundo Tebet, que também cita o caso da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), os problemas recentes reforçam a necessidade de investigar as privatizações realizadas no governo Tarcísio de Freitas (Republicanos).
“No geral, essa sequência de episódios exige por parte do Ministério Público uma vigilância, uma abertura de procedimento para investigar o que está acontecendo com as últimas privatizações em São Paulo”, disse a candidata ao Senado.
“Eu sou contra privatizações que cheiram mal, que têm indícios de irregularidade, de enriquecimento ilícito por parte de alguém. Alguém está ganhando nessa história”, completou.
Questionada sobre se defende uma eventual reversão das concessões da CPTM, Tebet afirmou que essa medida só seria justificável caso uma investigação comprovasse irregularidades ou descumprimento de cláusulas contratuais.
Ela também defendeu que o governador esclareça os critérios adotados nos casos da CPTM e da Sabesp, mas disse que a principal responsabilidade, neste momento, é dos órgãos de controle, que devem apurar as denúncias e verificar a regularidade dos contratos.
Nesta terça-feira (4), o governo Tarcísio afirmou em nota à imprensa considerar a manutenção da greve “injustificável” e manifestou sua “absoluta reprovação”, citando “graves prejuízos a quase 1 milhão de passageiros que dependem diariamente do transporte ferroviário”, sob “o pretexto de defender interesses da categoria”.
Questionada sobre a fala da ex-ministra, a administração não retornou.
Indagado via assessoria de imprensa, o candidato ao Governo de São Paulo na chapa de Tebet, Fernando Haddad (PT), não se manifestou.
Folha de São Paulo



