Notícias

‘Tô nem aí’ e ‘nem sabia’ tornam o escracho policial marca de SP

De novo, seria preciso acertar critérios. Moradores, a ouvidoria da polícia, o Ministério Público e entidades civis sustentam que há inocentes entre os mortos. Apontam, de resto, casos de execução, omissão de socorro, invasão de domicílios e tortura. No mês passado, as violações foram levadas ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. E o governador Tarcísio de Freitas: “Tô nem aí”.

O capitão Derrite pareceu incomodado com o repórter que lhe perguntou sobre os mortos mais recentes. “O senhor mencionou 56, mas talvez tenha esquecido de mencionar os policiais que faleceram cumprindo sua missão. Perdemos os soldados Cosmo e Patrick Reis, o cabo Silveira… Essa é a vida real, não o mundo utópico de ‘olha, teve número xis de mortes’.”

É inusitada a lógica de um secretário de Segurança que invoca a selvageria da bandidagem para justificar a selvageria da polícia. Do modo como se expressa, Derrite parece achar que matar policiais é algo tão abominável que a polícia precisa matar quem mata. É a estatização da barbárie, com a conversão de cada contribuinte em cúmplice de assassinatos estatais.

Ainda que todos os mortos pela polícia fossem bandidos, os tiros que matam criminosos não matam o crime. O “tô nem aí” de Tarcísio e o “nem sabia” de Derrite apenas consolidam o escracho policial como marca de São Paulo.

Se apagar as diferenças entre o crime e a lei e igualar policiais a bandidos reduzisse a criminalidade, não seria necessário definir quesitos, escolher índices ou acertar critérios. Bastaria reduzir tudo ao nível da reciprocidade animal, como num torneio de facínoras.

Matéria: UOL Notícias

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo