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Trocou o seminário e o Direito pelo jornalismo – 01/02/2024 – Cotidiano

David de Moraes quis ser muitas coisas, entre elas padre e advogado, mas foi a comunicação que o conquistou. Com o jornalismo, deixou seu nome gravado como crítico da ditadura em defesa da democracia.

Nasceu em Ibiúna, no interior de São Paulo, em 15 de maio de 1936, em uma família simples e bastante religiosa. Tinha uma irmã mais velha e duas mais novas. Foi coroinha, e aos 12 anos se mudou para São Roque (SP) para se tornar seminarista e quase seguiu o caminho da fé. Mas aos 18 anos deixou o interior rumo à capital.

Culto e com boa educação, conseguiu ingressar no curso de direito da USP (Universidade de São Paulo), no largo São Francisco. Trabalhou o tempo todo para custear a vida em São Paulo.

Entrou na Folha como revisor, em 1957. Formou-se em direito, mas o jornalismo já tinha conquistado sua alma. Permaneceu no jornal como repórter por 12 anos.

Foi eleito presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo para o mandato de 1978 a 1981. Destacou-se pela defesa dos direitos dos trabalhadores e no combate à censura e à ditadura. Foi durante o seu mandato que ocorreu a histórica greve dos jornalistas em 1979, bem como a paralisação dos metalúrgicos do ABC, apoiada pelo sindicato, e a luta contra o fechamento da TV Tupi.

Moraes também participou da criação do Partido dos Trabalhadores e trabalhou na assessoria de vereadores do PT na Câmara Municipal de São Paulo.

O jornalista, que teve dois filhos, era também conhecido pela boa memória.

“Muitos que trabalharam com ele falam: a gente não tinha Google, a gente tinha o seu pai. Tudo ele sabia, e lembrava o que tinha acontecido naquela data, anos atrás”, diz a filha, a também jornalista Sílvia de Moraes Braido.

O pai, segundo ela, nunca ficou parado. Cuidava do corpo e da mente. Mesmo no inverno, nadava de dois a três quilômetros por dia. As partidas de xadrez com os amigos também eram regra.

Moraes era um homem que adorava a família e sempre se fazia presente, acrescenta a filha.

“Era um avô superamoroso, daqueles de fazer tudo pelos netos. Não era um avô palhaço, era sério, mas sempre presente na vida dos netos. Minha filha está grávida e ele chegou a saber que estava vindo a bisnetinha”, conta Braido.

David de Moraes morreu no dia 14 de janeiro, aos 87 anos, em decorrência de um câncer de próstata metastático. Além da filha, deixou quatro netos.

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Matéria: UOL Notícias

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