Saúde

Vacinas contra dengue encalham em SP e cidades ampliam faixa etária

Cinco das 11 cidades da região do Alto Tietê, no estado de são Paulo, ampliaram a vacinação contra a dengue para adolescentes de 12 a 14 anos após baixa adesão à campanha de imunização. Inicialmente, a administração ocorria para crianças de 10 e 11 anos.

As cidades que já expandiram o público-alvo para imunização são Arujá, Biritiba Mirim, Guarulhos, Guararema e Santa Isabel. Mogi das Cruzes e Suzano começarão a vacinar o grupo de 12 a 14 anos a partir da próxima segunda-feira (11). Na terça-feira (12), Poá também inicia a aplicação na faixa etária.

Na quarta-feira (6), o governo federal publicou uma nota técnica orientando municípios a ampliarem a faixa etária do público apto a receber a vacina. A medida foi tomada por causa da baixa procura pelo imunizante nos postos de saúde.

As 11 cidades do Alto Tietê são as únicas do estado contempladas com as doses distribuídas pela pasta. As vacinas foram destinadas a municípios com alto índice de transmissão do vírus e prevalência do sorotipo 2.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, desde 19 de fevereiro, mais de 20,5 mil mil doses foram aplicadas, conferindo cobertura de 25,9% da população elegível, que é de cerca de 79 mil.

O estado tem 169.780 mil casos e 47 óbitos por dengue. Outras 154 mortes estão em investigação.

O percentual de imunizações em São Paulo é ligeiramente superior à média nacional. O Brasil vacinou 20,2% do público-alvo até esta sexta-feira (8). Segundo o Ministério da Saúde, 1,2 milhão de doses foram distribuídas entre os estados e, dessas, 249.335 mil foram aplicadas.

O país registrou mais de 1,3 milhão de casos prováveis de dengue e 363 mortes confirmadas pela doença de janeiro a março de 2024. No mesmo período do ano passado, o país tinha 207 mil registros.

Renato Kfouri, vice-presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), afirma que a baixa taxa de imunização está ligada à dimensão da campanha, que é direcionada a cerca de 520 municípios.

“Depois tem a questão da comunicação, você não pode fazer a nível nacional, tem que fazer comunicação estadual e até municipal. Ou seja, não é simples chegar nas populações.”

O médico diz também que a imunização não tem o potencial de mudar o curso da doença, uma vez que a oferta de doses é baixa. “Cerca de 3 milhões de pessoas vacinadas esse ano e 4 milhões vacinadas no ano que vem não impactarão nos números da dengue. Protegerá obviamente os vacinados, mas não é a estratégia que vai modificar os números.”

Para o médico Marcelo Otsuka, membro dos Departamentos de Imunizações e Pediatria Legal da SPSP (Sociedade de Pediatria de São Paulo), a baixa adesão se relaciona principalmente com o crescimento dos movimentos antivacina e medidas que desestimulam a prática.

“Infelizmente, em vários locais não é mais obrigatório que a criança esteja com o calendário de vacinação em dia para frequentar a escola. Esse é um grande problema porque nós deixamos de nos proteger de várias doenças que são prevenidas pela vacina e que são extremamente problemáticas. Inclusive a dengue, que tem produzido mortalidade no país”, afirma.

Otsuka também alerta para o fato de que, em meninos e meninas, os sintomas da dengue podem ser diferentes dos que ocorrem em adultos. Segundo o médico, crianças têm mais facilidade para desenvolver quadros graves, o que pode levar ao que é chamado de “choque”.

A ausência de um tratamento específico para dengue também atrapalha o manejo da doença. A orientação é que pacientes que receberem o diagnóstico se hidratem e tenham acompanhamento médico para o controle das funções dos órgãos até a recuperação total.

O médico alerta também para o risco de automedicação, que pode agravar o quadro. Pessoas com idade entre 0 e 2 anos, com comorbidade, e idosos são as que correm mais risco.

Informação

Folha de São Paulo

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