Saúde

Veja três formas de desbloquear seu ‘potencial oculto’, segundo especialista

Em uma cultura que se concentra intensamente no sucesso, é fácil se sentir um fracasso. Mas de acordo com o psicólogo organizacional Adam Grant, isso pode ser porque estamos pensando sobre a conquista de forma errada.

Muitas pessoas assumem que as realizações estão intimamente ligadas à habilidade inata, então desistem de atividades que consideram desafiadoras. Isso é um erro, escreve o psicólogo em seu novo livro: ” Hidden Potential: The Science of Achieving Greater Things” ( Potencial oculto: a ciência para alcançar coisas maiores, em português).

Grant compartilha anedotas sobre pessoas que alcançaram feitos extraordinários mesmo mostrando pouca aptidão no início —incluindo ele próprio. O escritor se qualificou duas vezes para campeonatos juniores de mergulho olímpico, ainda que era, segundo ele, extremamente desajeitado e demorava um longo tempo para conseguir tocar os dedos dos pés sem dobrar os joelhos.

Entrelaçando histórias compartilhadas por ele, o psicólogo analisa os caminhos e estratégias que levaram a cada sucesso e discute insights relevantes da literatura de pesquisa —seu campo de atuação. Grant é professor na Wharton School da Universidade da Pensilvânia, apresenta o podcast “Re:Thinking” e é autor do best-seller “Pense de novo: O poder de saber o que você não sabe” (Sextante, 2021). Ele também colabora com colunas de opinião para o The Times.

Conversei com o Grant sobre três pontos-chave de seu livro que podem ajudar você a desbloquear seu próprio potencial oculto.

ACEITE O DESCONFORTO

O sucesso, argumenta Grant, está mais relacionado ao crescimento ao longo do tempo do que às vitórias conquistadas. E, para ele, uma das melhores maneiras de desenvolver habilidades é desafiar-se.

“A sensação de desconforto é um sinal de que você está prestes a aprender algo novo”, afirma o psicólogo em uma entrevista. “Esse é um sinal ao qual não só devemos prestar atenção, mas amplificar.”

Você pode ter ouvido dizer que as pessoas aprendem melhor quando as lições são adaptadas ao seu “estilo de aprendizagem“. Algumas pessoas podem ser aprendizes visuais, auditivos ou verbais, e assim por diante.

Mas Grant apresenta pesquisas que sugerem que as pessoas nem sempre aprendem mais quando as informações são adaptadas as suas preferências. O oposto pode até ser verdadeiro: podemos crescer mais quando deliberadamente saímos da nossa zona de conforto.

Está tudo bem —até mesmo bom— cometer erros ao longo do caminho, diz ele. No livro, conta a história de um poliglota que mede o próprio progresso ao aprender um novo idioma pelo número de erros que comete a cada dia. Ele tem como objetivo pelo menos 200.

“A maneira como você domina o conhecimento e as habilidades é usá-los à medida que os adquire”, diz o escritor. “Se você nem sequer faz tentativas suficientes para cometer erros, é muito difícil progredir.”

MANTENHA AS COISAS INTERESSANTES

Embora devamos ter cuidado com o esgotamento, escreve, é igualmente importante evitar o oposto, que ele chama de “esgotamento por tédio” —aquele emocional que sentimos quando estamos cronicamente subestimulados.

Uma maneira de fazer isso, argumenta ele, é incorporar jogos e novidades em suas rotinas de aprendizado. No livro, Grant atribui a rápida melhora do jogador de basquete Stephen Curry a um treinador que enfatizava variedade de jogos em suas sessões de treinamento, em vez de exercícios repetitivos.

“Centenas de experimentos mostram que as pessoas melhoram mais rápido quando alternam entre diferentes habilidades”, escreve ele.

Quando você se sentir preso, não deve continuar batendo a cabeça na parede. Faça uma pausa e trabalhe em algo que goste, diz. Ao canalizar sua criatividade em outra atividade, “pode descobrir novas confianças e habilidades, e isso pode te dar impulso para ajudá-lo na subida”.

PEÇA CONSELHOS (E DÊ TAMBÉM)

Quando buscamos melhorar, muitas vezes pedimos feedback aos outros. Mas nem sempre é útil, explica o escritor, em parte porque se concentra no que fizemos no passado.

Certa vez, quando Grant pediu por notas após uma apresentação, foi informado de que sua “respiração nervosa soava como Darth Vader“. O comentário foi “um curso intensivo de desmoralização por críticas inúteis”, escreve.

Ele aponta, em vez disso, para pesquisas da Harvard Business School que descobriram que é mais útil pedir conselhos que se concentram no que você pode fazer melhor no futuro. Além disso, esses geralmente são formulados de forma positiva, mudando a mentalidade para o que pode ser feito certo.

Informação

Folha de São Paulo

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