Saúde

Verão 50º: Cardiologista alerta sobre lesão muscular provocada pelo calor

Não há como negar: a estação mais quente do ano já impõe suas primeiras impressões com as temidas ondas de calor prolongadas, o que altera o funcionamento do organismo. Na série Verão 50º da coluna, o cardiologista Edmo Atique Gabriel fala sobre a rabdomiólise, lesão muscular provocada pelo calor excessivo.

“As ondas de calor são capazes de gerar um processo inflamatório sistêmico, fenômeno que pode evoluir para complicações como falência renal e disfunções respiratórias, circulatórias e neurológicas. Temos um quadro que chamamos de rabdomiólise, lesão muscular provocada pelo calor excessivo que faz liberar no sangue uma enorme quantidade de mioglobina. Esta é uma proteína que prejudica a filtração sanguínea pelos rins, contribuindo para a insuficiência renal. Outra repercussão significativa da hipertermia corporal são distúrbios de coagulação, que chegam a ocorrer em 50% dos casos. Temperaturas exacerbadas são um perigo tanto durante a prática de exercícios como no repouso. O calor acima do normal propicia estresse físico prolongado, contração muscular fora de controle e maior resposta inflamatória. Um aspecto interessante é que cada vez mais os casos de hipertermia corporal têm sido diagnosticados em grupos de pessoas que executam menos atividades físicas intensas, como crianças e idosos. Especialmente entre eles, o quadro pode levar à hospitalização em razão da desidratação profunda e maior suscetibilidade a infecções. Um dos desafios atuais para a ciência é detectar precocemente os casos de sobrecarga térmica. Os pesquisadores buscam, por exemplo, biomarcadores identificados por exames de sangue que podem apontar as disfunções orgânicas associadas a essa condição, permitindo que medidas de contenção sejam prontamente implementadas. Para remediar a hipertermia corporal, costumamos recorrer à hidratação rigorosa, técnicas de resfriamento, uso de anti-inflamatórios e anticoagulantes etc. A ideia é repor as perdas de água excessivas e diluir a quantidade expressiva de toxinas e substâncias inflamatórias circulantes. Algumas frutas, como pêssego, melancia e abacaxi podem ser úteis, já que boa parte da composição é de água. Os efeitos deletérios das mudanças climáticas certamente irão comprometer a qualidade de vida destas e das futuras gerações. É fundamental, portanto, que políticas públicas sejam estabelecidas para proteger os grupos mais frágeis e vulneráveis a complicações, além das medidas ambientais”.

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