Política

Vereador sobe tom contra padre Julio e protocola CPI que mira ONGs que atuam no centro de SP

O vereador Rubinho Nunes (União Brasil) conseguiu 24 assinaturas de colegas da Câmara Municipal de São Paulo e protocolou a criação de uma CPI das ONGs do Centro. Ele tem na mira a relação das entidades com a atuação do padre Julio Lancellotti na região central da capital, mais especificamente na cracolândia.

Como mostrou o Painel, Rubinho é crítico do pároco e o convocou a prestar depoimento na Frente Parlamentar em Defesa do Centro até 14 de dezembro. A medida gerou críticas de Gleisi Hoffmann, presidente do PT, e Silvio Almeida, ministro dos Direitos Humanos, entre outros.

Para que a CPI seja instalada, são necessárias 27 assinaturas, que o vereador diz que conseguirá com facilidade. Além disso, ele precisa aguardar a conclusão de alguma das CPIs em curso.

As duas entidades que o vereador já definiu que deverão ser alvos da CPI são o Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto, conhecida como Bompar, e o coletivo Craco Resiste. Ambas atuam junto à população em situação de rua e dependentes químicos da região central da cidade, assim como o padre.

A primeira é uma entidade filantrópica ligada à igreja católica da qual o padre Júlio já foi conselheiro. A segunda atua contra a violência policial na região da cracolândia.

“A CPI tem mais poder de investigação do que a frente parlamentar, é investida de poder de polícia. Com essa ferramenta nas mãos, a gente conseguirá ir mais a fundo”, afirma o vereador, que argumenta que a atuação do religioso e das instituições estaria ajudando a manter a região central da cidade em situação crítica.

Ele diz que deverá convocar o pároco também para depor na CPI.

O pároco diz à coluna que não tem qualquer incidência sobre as entidades e não atua em projetos conjuntos com elas.

“Elas são autônomas, têm diretorias, técnicos, funcionários. A Câmara tem direito de fazer uma CPI, mas vai investigar e não vai me encontrar em nenhuma das duas”, afirma o padre.

Ele ainda diz que não é do conselho da Bompar há 17 anos, e que ocupava uma posição sem remuneração no conselho deliberativo da entidade.

Na última semana, o padre disse que o vereador e seus aliados “ficam personalizando e criminalizando para fugir do debate da questão” e que deveriam “convocar o prefeito [Ricardo Nunes (MDB)], a Secretaria de Assistência Social, que têm o dinheiro público”.

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Folha de São Paulo

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