Política

Vice de Ruas quer usar pauta PCD para furar a bolha bolsonarista no Rio

Escolhida para ser vice do deputado estadual Douglas Ruas (PL), presidente da Assembleia Legislativa do Rio, na disputa pelo governo do estado, a vereadora de Niterói, na região metropolitana, Fernanda Louback (PL) diz que recebeu o convite “com surpresa” e “felicidade” e que pretende usar a pauta dos direitos das pessoas com deficiência para ajudar a chapa bolsonarista a furar a bolha ideológica.

A escolha de Fernanda foi uma solução caseira do PL depois que a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, desembarcou da aliança com o partido. Com isso, a legenda recorreu a uma chapa puro-sangue no Rio. “Eu gosto muito de chapa pura. Sou muito PL, família PL”, disse a vereadora a VEJA. “Fiquei muito feliz de ter sido convidada. Já fui atleta, então estou acostumada a entrar na prorrogação, no final do jogo, para tentar ajudar a decidir”, emenda a parlamentar, que foi jogadora de vôlei.

A chapa carrega fragilidade que tende a ser explorada pelos adversários: tanto Douglas quanto Fernanda são políticos de primeiro mandato e nunca comandaram o Executivo. A vereadora acredita que pode transformar a característica em ativo eleitoral. “Eu me sinto uma eleitora que foi eleita para ser vereadora, não uma política. Nunca tive parente político, ninguém político na minha família. Tudo o que uso na política é a minha vontade de ajudar”, argumenta.

Na avaliação dela, a falta de experiência em cargos executivos pode ser compensada com equipe técnica e disposição para “fazer diferente”. “A gente vai ter equipe gabaritada, capacitada em todas as áreas, e vontade realmente de colocar a mão na massa”, afirmou. “Falta essa renovação, essa cara nova de pessoas realmente querendo mudar.”

A tentativa de vender a chapa como renovação esbarra em um ponto sensível: Douglas Ruas e Fernanda Louback fazem parte do mesmo grupo político que estava no comando do estado com o ex-governador Cláudio Castro, que desistiu dos planos políticos em 2026 após ser alvo de duas operações da Polícia Federal. “Infelizmente, nosso partido estava no governo”, admite, emendando que a chapa tem “vontade de renovar”.

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Fernanda também reconhece que a campanha precisa ampliar o diálogo para além do eleitorado bolsonarista. Ela se define como bolsonarista, mas afirma que a entrada na chapa pode ajudar a ampliar o alcance da candidatura entre mulheres e famílias de pessoas com deficiência. “Em Niterói a gente furou a bolha. Eu lido com a pauta da pessoa com deficiência, que sempre foi até sequestrada pela esquerda, como se fosse uma pauta de esquerda, e não é. É uma pauta suprapartidária”.

A vereadora afirma ainda que pretende levar para a campanha um “olhar mais humano, menos político”. “Sou uma mulher, a gente representa a maioria do eleitorado brasileiro, a maioria do eleitorado do Rio de Janeiro. Minha entrada é para agregar mulheres, pessoas com deficiência”, decfende.

Na segurança pública, principal bandeira de Douglas Ruas, Fernanda diz que estará alinhada ao candidato. Vice-presidente da comissão de segurança pública na Câmara de Niterói, ela afirma que o problema no Rio é “generalizado” e exigirá firmeza. “Com certeza ele é firme, vai agir de forma firme, e eu estarei ao lado dele de forma firme também.”

Fernanda afirma que, antes de ser escolhida vice, já colaborava com o plano de governo de Ruas na pauta das pessoas com deficiência, sua principal bandeira na Câmara de Niterói. “O meu foco sempre foi a pessoa com deficiência por viver essa realidade todo dia”, afirma a vereadora, que é mão de duas meninas diagnosticadas com autismo. Com a mudança de rota, a vereadora, que seria candidata a deputada estadual, diz que passou a estudar o programa de governo para contribuir em outras áreas. “Agora são 92 municípios e representando todo o estado do Rio. Então muda um pouquinho.”

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