Virginia Fonseca assusta ao relatar forte crise e revela detalhe por trás das dores

Virginia Fonseca voltou a falar sobre as crises de enxaqueca que tem enfrentado. A influenciadora contou nas redes sociais que voltou a sentir dores fortes após atrasar uma etapa do tratamento médico que realiza para controlar a condição.
Segundo Virginia, a consulta de acompanhamento deveria ter acontecido no início de setembro, mas acabou sendo adiada. Com isso, ela percebeu o retorno das crises.
“Hoje, me deu crise de enxaqueca que tinha tempo que não tinha. Mas é porque o meu tratamento está atrasado. Era para eu ter voltado lá na doutora no início de setembro. Vocês voltaram? Eu não voltei também, não”, contou.
A influenciadora relatou ainda que tentou realizar um treino de musculação, mas acabou enfrentando uma crise intensa. Durante o episódio, chegou a se preocupar com a intensidade da dor e afirmou: “‘Deus, sou muito nova para o Senhor me levar, viu?’”.
Médico explica retorno das dores
De acordo com o neurologista Dr. Tiago de Paula, especialista em Cefaleia pela Escola Paulista de Medicina (EPM/UNIFESP), membro da International Headache Society (IHS) e da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC), Virginia apresenta um quadro grave de enxaqueca crônica.
O médico, que integra a equipe responsável pelo atendimento da influenciadora, explica que o espaçamento ou a interrupção temporária do tratamento pode estar relacionado ao aumento das dores e à retomada das crises.
“Mas temos que entender que essa é uma doença crônica, genética, que precisa de um cronograma de tratamentos para que o paciente tenha realmente de volta sua qualidade de vida”, explica o neurologista.
Segundo o especialista, manter a regularidade do acompanhamento é importante para o controle da doença. Entre as estratégias utilizadas no tratamento estão procedimentos como a aplicação de toxina botulínica.
Como funciona o tratamento da enxaqueca crônica?
O neurologista explica que uma das metas do tratamento é modificar a forma como o cérebro processa os estímulos relacionados à dor.
“É basicamente isso. A gente está desfazendo um caminho da dor que o cérebro aprendeu a fazer, principalmente no paciente crônico. No tratamento, que visa a neuromodulação, tanto com a toxina botulínica quanto medicamentos monoclonais Anti-CGRP, o objetivo é ensinar o cérebro a não causar mais dor”, explica o médico.
De acordo com Tiago de Paula, quando existe um intervalo maior entre os tratamentos ou quando eles são interrompidos, parte desse efeito pode ser perdida.
“Quando espaçamos ou interrompemos o tratamento, começamos a perder essa neuromodulação e o paciente, invariavelmente, começa a piorar das dores. E perdemos a melhora progressiva”, destaca o Dr. Tiago de Paula.
Ele também explica que a continuidade do tratamento está relacionada à evolução do quadro ao longo dos meses.
“Toda vez que o paciente segue o tratamento, ele fica melhor nos outros três meses. Quando ele não faz isso, ele perde essa melhora. E ainda há piora das dores”, explica.
Enxaqueca pode afetar outras áreas da vida
Além das dores, a enxaqueca pode provocar outros sintomas e interferir na rotina dos pacientes. O especialista destaca que a doença pode afetar desde a sensibilidade a estímulos externos até o sono e a capacidade de concentração.
“Além da dor latejante, o paciente fica mais sensível à luz, aos sons e ao barulho, sofre com náuseas e tontura e tem uma piora no sono, na atenção e na memória”, explica.
Segundo o neurologista, a enxaqueca apresenta um componente genético e também pode sofrer influência de fatores hormonais.
“Existe também uma questão hormonal. Hormônios como o estrogênio influenciam na sensibilidade e prevalência dos sintomas. Por isso, é mais comum em mulheres”, pontua.
Estresse e alimentação podem influenciar nas crises
Além dos fatores genéticos e hormonais, o médico chama atenção para elementos relacionados ao ambiente e à rotina do paciente. Entre eles estão estresse, excesso de estímulos e alterações no sono.
“Por exemplo, uma pessoa que tem uma vida muito intensa, está sempre exposta a estímulos, sofre com grande estresse e não dorme direto tende a sofrer com crises mais frequentes e mais graves”, ressalta o médico.
A alimentação também pode ter influência sobre a frequência ou intensidade das crises em algumas pessoas.
“A alimentação também pode favorecer uma piora da enxaqueca, principalmente aqueles alimentos que deixam o cérebro mais acelerado, pois trata-se de uma doença relacionada à hiperexcitabilidade cerebral. Por isso, é recomendado evitar estimulantes, como café, chocolate e energéticos, e termogênicos, incluindo gengibre e pimenta vermelha, por exemplo”, detalha o médico.
Tratamento envolve diferentes estratégias
O controle da enxaqueca não se resume à identificação e à redução dos fatores que podem desencadear ou agravar as crises. Segundo o especialista, o tratamento pode envolver diferentes estratégias para diminuir a intensidade das dores e a frequência dos episódios.
“A abordagem global e integrada no tratamento visa atuar em todos os aspectos da doença para promover melhora rápida e devolver qualidade de vida ao paciente. Além de mudanças na alimentação e no estilo de vida acompanhadas por nutricionistas e psicólogos, utilizamos tratamentos de primeira linha com evidência cientifica para a condição, como a toxina botulínica, que é aplicada em pontos nervosos específicos para reduzir a sensibilidade do cérebro a dor, ajudando, assim, no controle da enxaqueca”, diz o especialista.
Ao final, o neurologista reforça a importância da continuidade do acompanhamento médico:
“Mas é fundamental seguir o plano de tratamento”, finaliza.
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