Política

Vorcaro trabalha em jardinagem e cuida de horta na prisão para obter remição da pena

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, realiza serviços gerais, como jardinagem e cuidados com uma horta, na Papudinha, em Brasília, onde está preso, para obter a remição da pena.

A atividade foi autorizada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em julho. Desde então, Vorcaro passou a desempenhar diferentes tarefas dentro da unidade.

A possibilidade de presos reduzirem o tempo de cumprimento da pena por meio do trabalho é prevista na LEP (Lei de Execução Penal). A legislação estabelece a remição de um dia de pena a cada três dias de trabalho. O benefício depende do registro das atividades realizadas e do posterior reconhecimento pela Justiça.

As informações foram publicadas inicialmente pelo site Metrópoles e confirmadas pela reportagem.

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), transferiu Vorcaro para a Papudinha no dia 25 de junho. Ele estava na superintendência da PF no Distrito Federal havia pouco mais de três meses.

Mendonça afirma que a transferência era “a alternativa mais adequada” para equilibrar a necessidade da prisão preventiva com a segurança do empresário.

Na mesma decisão, Mendonça negou o pedido de prisão domiciliar feito pela defesa de Vorcaro. O magistrado afirmou que as novas descobertas da operação Compliance Zero demonstram que a prisão preventiva segue fundamental para interromper a prática criminosa e mitigar riscos de destruição de provas.

Como mostrou reportagem da Folha, o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido popularmente como Papudinha, se tornou o centro de detenção dos três maiores escândalos recentes do país. Ele serviu para que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cumprisse parte da pena por tentativa de golpe.

A chegada de envolvidos em casos de grande repercussão nacional também tem rendido ao batalhão, entre advogados e policiais, o apelido de “Tremembé de Brasília“, em alusão ao presídio no interior paulista onde condenados como Suzane von Richthofen e o ex-jogador Robinho ficaram presos.

A ida de Bolsonaro em janeiro deste ano (em março ele obteve a prisão domiciliar) consolidou a decisão do batalhão de destinar uma ala inteira para o que tem chamado de custodiados do STF (Supremo Tribunal Federal).

Estão presos no local o ex-ministro da Justiça de Bolsonaro Anderson Torres, o ex-diretor-geral da PRF (Polícia Rodoviária Federal) Silvinei Vasques, cinco ex-coronéis da Polícia Militar do DF e o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa.

Paulo Henrique agora divide cela com Torres e Silvinei, enquanto Vorcaro ocupa a antiga cela de Bolsonaro. Os cinco coronéis da PM compartilham uma maior, ao lado, com capacidade para até dez pessoas.

Completam a lista da Papudinha o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, investigado pelos descontos ilegais em aposentadorias e pensões. Stefanutto está detido em uma cela com mais sete advogados em outra ala, onde estão os demais policiais militares que foram condenados, mas não foram expulsos da corporação.

Folha de São Paulo

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