Tecnologia

Yahoo quer conquistar geração Z com ferramenta própria de IA

O Yahoo quer convencer uma nova geração de usuários de que um dos serviços mais antigos da internet pode estar entre os vencedores da era da IA (inteligência artificial), enquanto a Yahoo, empresa apoiada pela Apollo, busca desenvolver sua marca paralelamente ao lançamento de uma ferramenta própria de IA e de produtos voltados ao consumidor.

O presidente-executivo Jim Lanzone disse ao FT que a trajetória da empresa lhe dá credibilidade junto aos usuários mais jovens, que nem sequer eram nascidos quando o Yahoo foi lançado, em 1994. Segundo ele, isso ocorre de uma maneira “vintage”. Lanzone descreveu o Yahoo como o “OG” da internet —uma gíria que significa “gangster original”, usada para designar alguém que está na origem de algo.

Ele argumentou que essa familiaridade se tornou uma vantagem à medida que a confiança em algumas empresas de tecnologia mais novas diminuiu.

“Há algo inerentemente confiável em ser o ‘OG’ do setor”, afirmou. “Somos o guia original da internet […] Queremos colocar a marca de volta em evidência.”

Lanzone, que chegou ao Yahoo vindo do Tinder em 2021, pouco depois de a Apollo adquirir a empresa da Verizon, tem buscado reposicionar a pioneira da internet como uma empresa de tecnologia voltada ao consumidor, mais enxuta e concentrada em suas principais marcas.

O movimento ocorre enquanto o Yahoo tenta provar que pode conquistar um espaço na era da IA, apesar de ter passado anos à sombra de concorrentes maiores.

Embora ainda alcance centenas de milhões de usuários por meio de produtos como finanças, esportes, notícias e serviços de e-mail, a empresa continua sendo uma desafiante no mercado de buscas e em outros serviços centrais da internet, dominados pelo Google e por concorrentes mais nativos da inteligência artificial.

O Yahoo planeja lançar integralmente ainda neste ano um “mecanismo de respostas” baseado em IA, chamado Scout, juntamente com vários produtos editoriais e voltados ao consumidor. A iniciativa faz parte de um esforço mais amplo para retomar o crescimento da empresa.

No auge, quando era uma companhia listada em bolsa, o Yahoo atingiu valor de mercado superior a US$ 125 bilhões (R$ 642,5 bilhões) em janeiro de 2000. Depois de um declínio gradual e de sucessivas aquisições, a Apollo Global Management comprou o Yahoo e a AOL por cerca de US$ 5 bilhões (R$ 25,7 bilhões) em 2021. Neste ano, vendeu a AOL, outra sobrevivente da bolha das empresas ponto.com, para a Bending Spoons por US$ 1,5 bilhão (R$ 7,71 bilhões).

Banqueiros de Wall Street consideram o Yahoo um possível candidato a uma oferta pública inicial de ações (IPO) ou a uma venda já no próximo ano. Lanzone se recusou a comentar uma eventual transação, mas afirmou: “Para ser uma empresa atraente para qualquer investidor ou comprador, basta voltar a ser uma empresa em crescimento, e é nisso que temos nos concentrado”.

Lanzone também não revelou detalhes financeiros, mas disse que o negócio estava “muito saudável”. Segundo ele, a audiência consolidada do Yahoo e décadas de dados próprios sobre buscas, conteúdo e usuários ajudarão a diferenciar seus produtos de IA dos concorrentes construídos principalmente sobre modelos treinados com informações disponíveis na internet aberta.

A empresa decidiu não licenciar seu conteúdo para treinar modelos de IA desenvolvidos por outras empresas de tecnologia. Lanzone argumenta que muitos dos acordos firmados entre empresas de mídia e companhias de IA provavelmente não se mostrarão um modelo de negócios sustentável no longo prazo.

Em vez disso, o Scout utilizará informações da internet aberta juntamente com o próprio arquivo de conteúdo do Yahoo, dados de usuários e três décadas de histórico de buscas. O Scout usa tecnologias licenciadas de diversas empresas de IA.

“Nós não construímos isso simplesmente absorvendo a internet e criando nossas respostas dessa maneira”, disse Lanzone. “Temos todos os nossos dados do lado do conteúdo, do lado dos usuários e 30 anos de histórico de buscas [e] deveríamos ter um conjunto realmente interessante de ingredientes para nossos chefs prepararem ótimas respostas.”

O Yahoo pretende financiar as respostas geradas porIA por meio de publicidade, apostando que os anunciantes acompanharão os usuários da busca convencional para os resultados produzidos por inteligência artificial.

“O que realmente precisamos nessa categoria é que a publicidade de busca atravesse a barreira e chegue às respostas de IA“, disse Lanzone.

Paralelamente ao Scout, o Yahoo vem ampliando suas ofertas de assinatura e produtos voltados ao consumidor. No início deste ano, lançou o AlphaSpace, uma plataforma de investimentos que combina dados de mercado, notícias e análises para investidores de varejo. Desde então, acrescentou dados de opções em tempo real.

“Temos algumas surpresas na manga que fariam as pessoas se surpreenderem ao saber que vieram do Yahoo”, disse Lanzone. “Depois que você passa pelo período de recuperação —e acho que já passamos por isso—, chega a parte divertida, que é inovar sobre a base que construímos.”

Folha de São Paulo

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