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Zagueiro do Arsenal diz que lutará na guerra da Ucrânia se for convocado

O defensor do Arsenal Oleksandr Zinchenko declarou nesta sexta-feira (5) que deixará a Premier League inglesa para lutar na Ucrânia se seu país, em guerra há dois anos após a invasão da Rússia, o chamar para se juntar ao exército.

“Acho que a resposta é clara. Eu iria [para lutar]”, declarou o lateral esquerdo de 27 anos e com 60 partidas pela Ucrânia em declarações ao programa “Newsnight” da BBC, que perguntou sobre uma eventual incorporação ao exército de seu país.

O jogador dos ‘Gunners’ acrescentou que antigos colegas de sua época escolar estavam lutando.

“É difícil imaginar que há pouco tempo estávamos na mesma escola, jogávamos no pátio ou no campo de futebol, e agora eles têm que estar defendendo nosso país. Sinceramente, é algo difícil de aceitar, mas é assim que as coisas são. Não podemos abandonar”, afirmou.

Zinchenko, ex-jogador do Manchester City, indicou nesta transmissão da BBC que havia feito uma doação de um milhão de libras [1,16 milhão de euros ou US$ 1,23 milhão] para ajudar os habitantes de seu país, mergulhado no conflito desde fevereiro de 2022.

“Sei que algumas pessoas podem pensar que é muito mais fácil para mim estar aqui [em Londres] do que lá [na Ucrânia]”, admitiu. “Espero sinceramente que esta guerra termine logo”, desejou.

O presidente ucraniano, Volodomir Zelenski, promulgou esta semana uma lei que reduziu a idade da mobilização para o exército ucraniano de 27 para 25 anos, informou o Parlamento em seu site.

A mobilização para o exército tem sido um tema de discórdia em um país exausto por mais de dois anos de guerra com a Rússia, que causou enormes perdas militares. Zelenski declarou em dezembro que o exército desejava mobilizar até meio milhão de pessoas para lutar.

O jogador do Arsenal, que começou sua carreira no Ufa russo, afirmou que não tem mais contato com seus amigos ou ex-colegas que estão na Rússia.

“Desde a invasão, muito poucos deles me enviaram mensagens e não posso culpá-los porque não é culpa deles”, afirmou. “Não posso dizer a eles para se manifestarem ou fazerem isso ou aquilo, sei que estariam arriscando serem presos”, enfatizou.

Para Zinchenko, este conflito mostrou “a todos os ucranianos que não se pode ser amigo” dos russos.

“Nunca esqueceremos o que nos fizeram, o que fizeram ao nosso povo. É isso que ensinarei aos meus filhos. E meus filhos ensinarão aos seus filhos. Isso não é aceitável”, sentenciou.

Folha de São Paulo

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