Política

Zema é vaiado por 1 minuto, aliados minimizam e oposição vê desgaste; veja vídeo

A solenidade de abertura de um evento promovido por um banco público em Belo Horizonte na última semana levou parte da oposição a Romeu Zema (Novo) a falar em aumento da impopularidade do governador de Minas, tese rechaçada por seus apoiadores.

Um pronunciamento gravado de Zema foi vaiado durante as comemorações dos 35 anos do BDMG Cultural, o braço do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais para a área da cultura, na quinta (14), no Palácio das Artes, na capital mineira.

O governador não participou presencialmente das comemorações, mas enviou um vídeo.

Imagens nas redes sociais mostram que as vaias ocorreram durante a reprodução da gravação em telão. O protesto segue por pelo menos um minuto e, em alguns momentos, torna impossível que as declarações do governador sejam ouvidas.

A gravação antecedeu o espetáculo musical “Sons de uma história: tambores e vozes nos 35 anos do BDMG”, com instrumentistas e intérpretes, como Maurício Tizumba. A apresentação, segundo informações do BDMG Cultural, é uma exaltação ao congado.

Adversários aproveitaram o episódio para apontar dificuldades políticas do governador, que é cotado como presidenciável do campo da direita em 2026.

Já o PT local fez publicação em rede social afirmando que “não se ouviu uma palavra governador” e que isso é o mínimo para alguém “que quer destruir o serviço público”.

“[Zema] passou o governo afirmando que o estado estava nos trilhos e não apresentou proposta para o problema da dívida de R$ 160 bilhões que o estado tem com o governo federal”, afirmou a deputada estadual Macaé Evaristo (PT).

O deputado federal Rogério Correia (PT) afirma que “a máscara” do Zema de bom gestor caiu. “De repente todo mundo sabe que o governador não pagou um centavo da dívida. Essa era a grande plataforma dele, de bom gestor, e agora está claro que isso não existe. Essa percepção já está nas ruas”, afirmou.

Nesta quarta (20) venceria o prazo para o estado aderir ao RRF (Regime de Recuperação Fiscal) do governo federal, que permite renegociação da dívida. Caso estourasse a data, o governo teria que pagar imediatamente R$ 18 bilhões do passivo.

Na semana passada, porém, a pedido do Palácio Tiradentes, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Kassio Nunes Marques, deu mais três meses para a conclusão das negociações.

A entrada de Minas Gerais no RRF depende de aprovação da Assembleia. O texto, após longa tramitação nas comissões, ficou pronto para o plenário no dia 13, mas não havia garantia de que fosse aprovado.

Para um dos principais aliados do governador na Assembleia Legislativa, Carlos Henrique (Republicanos), líder da maioria, as vaias no Palácio das Artes foram um caso isolado e vindas de movimentos ideológicos.

“Não afeta em nada a boa imagem que o governador tem. Em todos os lugares onde o Zema vai, sobretudo no interior, é bem recebido. É um homem simples que se identifica com o povo mineiro”, disse o deputado.

As vaias, na avaliação do deputado estadual, ocorreram porque na área da cultura existe uma presença maior do pensamento de esquerda. “O que ocorreu é algo muito mais ideológico”, afirmou.

Segundo um integrante do primeiro escalão do governo Zema, o protesto nas comemorações do BDMG partiu de integrantes da esquerda e “não muda em nada as coisas aqui dentro”, disse. Para esse secretário, “o governador não se preocupou e não se preocupa com essa questão”.

A assessoria de comunicação do BDMG Cultural informou que o show foi aberto ao público, com ingressos gratuitos, retirados previamente em plataforma online e na bilheteria do Palácio das Artes.

Folha de São Paulo

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