Tecnologia

Zuckerberg rejeita frear desenvolvimento da IA – 16/09/2026 – IA


Strasbourg (França)

|AFP
Mark Zuckerberg, CEO da Meta, rejeitou na terça-feira (15) os apelos para suspender ou desacelerar o desenvolvimento da IA (inteligência artificial), por considerar que os mecanismos de mercado e o risco de ações judiciais constituem as melhores proteções diante desta tecnologia.

A preocupação com a IA aumentou nas últimas semanas após vários incidentes de segurança e à nova capacidade dos modelos de inteligência artificial de se aperfeiçoarem sozinhos, sem a intervenção humana.

“As pessoas não vão querer usar agentes que estejam desalinhados com elas e que não façam o que elas pedem, então os laboratórios têm um forte incentivo natural para tornar seus modelos mais alinhados”, escreveu Zuckerberg no X.

Homem jovem de cabelos cacheados e claros usa óculos escuros e camisa polo cinza em ambiente externo com fundo desfocado de vegetação.

Mark Zuckerberg rejeita pausa na IA enquanto UE busca ampliar controle e segurança da tecnologia


Brendan McDermid – 15.set.26/Reuters

O “alinhamento” é uma referência aos esforços para conseguir fazer com que os modelos se comportem exatamente como os humanos desejam. “Qualquer laboratório que não focar no alinhamento ficará para trás”, escreveu Zuckerberg.

O debate agora também aborda a capacidade de autorregulamentação do setor. Empresas como OpenAI, Anthropic e Google estudam a criação de um organismo comum para elaborar normas.

Zuckerberg alegou, no entanto, que a ameaça de ações judiciais já obriga os laboratórios a atuar de “maneira responsável”. Ele citou como exemplo a decisão da Meta de adiar por vários meses o lançamento de seu sistema Muse AI, dotado de agentes personalizados, para reforçar seus mecanismos de segurança e proteção.

Também se expressou a favor de avaliações independentes dos sistemas de IA, ressaltando que a ‘Meta Superintelligence Labs’, a divisão de IA do grupo, já recorre a especialistas externos. E pediu a criação de um “ecossistema mais amplo e mais diverso de avaliadores” no setor.

A Meta, que investirá até US$ 145 bilhões (R$ 746,75 bilhões) de dólares em suas infraestruturas de IA neste ano, luta contra qualquer regulamentação que possa frear a empresa.

Nenhuma norma deveria atrasar o lançamento dos modelos americanos, nem sequer um mês, defendeu o empresário no início de agosto.

UE DIZ QUE TRABALHARÁ COM GIGANTES DE IA PARA DEFINIR RITMO TECNOLÓGICO

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse nesta quarta-feira (16) que a União Europeia convidará os maiores laboratórios de inteligência artificial do mundo para discutir “como podemos apoiar os esforços contínuos do setor para acompanhar o ritmo da fronteira” tecnológica.

Os temores em relação a uma IA fora de controle aumentaram significativamente depois que uma tecnologia da OpenAI, operando sem supervisão humana, invadiu o Hugging Face, um repositório de modelos de inteligência artificial.

Incidentes semelhantes desde julho levaram a crescentes apelos para interromper ou desacelerar o desenvolvimento da IA, impulsionados por alertas contundentes de ex-funcionários das grandes empresas do setor sobre o potencial mortal da tecnologia.

“Os perigos dos modelos capazes de se aprimorar estão se tornando cada vez mais evidentes”, disse von der Leyen durante um discurso no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, na França.

“Incidentes envolvendo agentes de IA que escapam de seu ambiente ou inserem códigos maliciosos são apenas uma pequena amostra” desses riscos.

“Vamos intensificar nossos esforços junto a parceiros que compartilham de nossos princípios, como Canadá, Reino Unido e outros”, afirmou. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, acompanhava o discurso.

Segundo von der Leyen, a Lei de IA da União Europeia colocou o bloco “em posição de moldar os esforços globais” para regulamentar o setor, considerado estratégico.

A Europa também busca permanecer na corrida pela inteligência artificial com a China e os Estados Unidos.

“Também é verdade que a Europa precisará desenvolver suas próprias capacidades, especialmente para proteger nossa segurança nacional. Precisamos permanecer na corrida”, disse von der Leyen.

Folha de São Paulo

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