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“13 x 22”: camisas da Seleção na Copa são tragadas para a polarização

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A jogada do gol do Japão na partida contra o Brasil na última segunda-feira, 29, começou com um passe errado do lateral-direito Danilo. Nos segundos finais do tempo regulamentar, quando o placar já estava empatado, o atacante Gabriel Martinelli dominou a bola dentro da área e, com um chute colocado, fez o tento salvador, garantindo o triunfo da seleção brasileira. Era de se esperar que a vitória em jogo tão disputado merecesse celebrações em todo o país e passasse ao largo da campanha eleitoral. Mas não foi isso que aconteceu. 

Até os números das camisas dos atletas acabaram tragados para a polarização entre Lula e Jair Bolsonaro. Autor do erro que possibilitou aos japoneses sair na frente, Danilo veste a 13. E Martinelli, a 22. São, coincidentemente, os números de urna do PT e do PL. Bastou para o líder da oposição na Câmara, o deputado Cabo Gilberto Silva, fazer um post em suas redes, após a classificação, afirmando que, “no jogo e na política, o 13 entrega e o 22 salva” — com direito a imagens do lateral-direito com ares de desolação com o próprio infortúnio e do atacante reserva vibrando com seu gol redentor.

A vereadora de São Bernardo do Campo (SP) Marina Braga, que na última quarta-feira compareceu ao encontro de Flávio Bolsonaro com mulheres de direita em Brasília, seguiu o exemplo do líder e fez até uma montagem com vídeos dos dois gols reproduzidos em paralelo. Embaixo dos replays, escreveu que “o 13 tentou derrubar, mas foi o 22 que salvou o Brasil”. 

Crucificar um atleta e exaltar o outro por causa dos números que carregam às costas não encontra, neste caso, amparo na realidade, já que nada nas manifestações públicas de Danilo e Martinelli permite associar um ao petismo e o outro ao bolsonarismo. A tentativa de viralizar e produzir engajamento nas redes sociais não tem compromisso com os fatos e a verdade. Já a instrumentalização política e eleitoreira da Amarelinha não tem limites. É assim desde a ditadura militar.

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