Entretenimento

Alana Cabral revela como protagonista em Três Graças mudou sua vida

A vida de Alana Cabral (18) mudou desde que ela viveu sua primeira protagonista em novelas, a Joélly de Três Graças, novela das 9 que antecedeu a atual Quem Ama Cuida. “Fui ver uma foto de um ano atrás e percebi como estou diferente. Sou a mesma Alana, só que outra, com novas experiências. Foi uma virada de chave muito grande e sou grata por isso”, contou a jovem, durante entrevista exclusiva para CARAS no Sheraton Grand Rio Hotel & Resort, no Rio de Janeiro. Após se despedir desse trabalho tão importante, a paulistana, que atua desde criança, reflete sobre maturidade e representatividade.

— Você foi protagonista muito nova, mas, ao mesmo tempo, já são tantos anos de carreira…
— Não sinto que demorou. Eu sinto que precisava de todas as experiências que tive e, claro, da base que tenho da minha família para chegar aonde cheguei e da forma que foi. Porque uma coisa é chegar, outra coisa é se manter psicologicamente e fisicamente. É difícil, mas consegui equilibrar isso de cara. Estou me tornando adulta, tenho muita responsabilidade, mas ainda sou jovem, sou uma criança, sabe? Ainda tenho queixas, posso chorar, falar para o pessoal: ‘Gente, espera aí, calma. Me explica direito ou me tratem de uma maneira um pouco diferente, eu ainda sou café com leite (risos)’. Assumir isso não é vergonhoso. É reconhecer o que você precisa. E também gostei que me conheci muito nesse projeto como Alana e como atriz, principalmente. A personagem foi quase uma pesquisa de como migrar de uma atriz mirim para uma atriz adulta.

Alana Cabral. Fotos: Marcio Farias; Beleza: Vivi Gonzo; Styling: Samantha Szczerb; Agradecimentos: Sheraton Grand Rio Hotel & Resort

— Imaginou que viveria uma protagonista tão nova?
— Não é soberba, mas eu sempre soube que chegaria a um grande lugar. Mas não sabia que seria tão cedo. Tanto é que eu estava estudando para o vestibular, vivendo a minha vida. Fiz vários filmes, mas não fazia projetos na TV Globo há algum tempo. Estava pensando em entrar na faculdade, continuaria fazendo filmes, talvez uma novela… Quando chegou o teste para Joélly, eu só sabia rezar. Acendi uma vela, agradeci, porque por meio dos testes nós ficamos conhecidos. Não é sobre você passar ou não, é sobre dar o seu melhor, porque, às vezes, você não passa, e não é porque não foi bem, é porque não é o seu perfil, são várias questões. Então, já fiquei feliz só com o teste. Dei o meu melhor e saí pensando que a partir daquele momento seria com eles. Fiquei com a sensação de que tinha uma coisa grandiosa chegando, mas não imaginava que seria tão grande assim. Peguei a responsabilidade e matei no peito, tinha que matar (risos).

— Você estava vivendo um sonho que não era só seu…
— Nunca sonhei sozinha. Eu devo muito aos meus pais, aos meus irmãos. É uma luta nossa, é um sonho que se tornou deles também. Esse orgulho que eu dei para a minha família foi o que mais me preencheu. Então, agora é conquistar cada vez mais com sabedoria e aprender a lidar também com as minhas frustrações, com a Alana que está crescendo ainda. São grandes responsabilidades, a gente já acha que está apto para lidar com tudo, mas não está. E tudo bem reconhecer que você também pode pedir ajuda.

Alana Cabral. Fotos: Marcio Farias; Beleza: Vivi Gonzo; Styling: Samantha Szczerb; Agradecimentos: Sheraton Grand Rio Hotel & Resort

— Ao receber o troféu de Atriz Revelação no Melhores do Ano, você fez um discurso sobre representatividade e citou atrizes como Taís Araujo, Jeniffer Nascimento e Jéssica Ellen como referências. Como se sente ao saber que hoje você também inspira meninas?
— É muito legal esse processo. Claro, tem muito chão ainda, muito trabalho e não quero reconhecer isso porque não quero que suba à cabeça. Mas falando sobre representatividade, reconheço que estou nesse lugar. Acho importantíssimo, até porque poucas atrizes jovens, negras, ficam famosas, são protagonistas. As atrizes negras demoram mais para ficarem famosas no nosso ramo. Tem que trabalhar o triplo em comparação a uma atriz branca. Então, chegar ao lugar que eu cheguei com 18 anos é um orgulho para mim e é um orgulho para a comunidade negra do nosso País. Na verdade, é um orgulho para o nosso País como um todo, porque somos mais de 50% de negros. Quando encontro uma criança animada por me ver e me abraçar, acho engraçado, porque ainda não consigo entender isso. Nós, meninas pretas, demoramos um pouco para entender que somos bonitas, que podemos ficar famosas, fazer um bom trabalho como atrizes. Acho que essa ficha demorar para cair é normal, mas ela tem que cair em algum momento. Fico feliz de ser essa representação na vida de muitas meninas, mas espero que a gente tenha cada vez mais exemplos, porque conheço atrizes jovens que são talentosas, só que demoram para ficar famosas ou desistem porque não são reconhecidas.

Alana Cabral. Fotos: Marcio Farias; Beleza: Vivi Gonzo; Styling: Samantha Szczerb; Agradecimentos: Sheraton Grand Rio Hotel & Resort

— Vai tirar férias agora?
— Não diria férias, mas um leve descanso para tirar um pouco a Joélly de dentro de mim. Mas, se não tiver tempo, eu estou aqui! Tenho 18 anos, não tem férias nenhuma, a gente descansa no final de semana (risos). Estou querendo fazer a CAL, a Casa das Artes de Laranjeiras, porque o estudo não pode parar.


Caras

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo